PUC-Rio / Departamento de Artes & Design
Análise Gráfica / 2003.2
Prof. Edna Lúcia Cunha Lima
O papel do design gráfico – a identidade visual da cidade.

Alunas: Isabela Saldanha Paiva de Oliveira e Paula Sattamini


 

Tijuca


Tijuca – Um nome que sobe e desce

 

A Tijuca é um bairro cheio de controvérsias, e falta de coerência a começar por: o que é a Tijuca? É nome de bairro, de montanha, de floresta, de barra, ou de lagoa? Onde começa e onde acaba?


Não é fácil responder. Para alguns moradores, a esquina ali ainda é Tijuca, para outros já é Andaraí; aquela outra, tão tradicionalmente tijucana, já é Maracanã. Para administração municipal, Tijuca é um bairro, mas também é uma Região Administrativa. E esta abrange outros três bairros. Por outro lado, uma parte do bairro Tijuca está dentro da Região Administrativa de Vila Isabel. Os moradores mais antigos dirão que a Tijuca era o Engenho Velho. Outros ainda, que era a Fábrica das Chitas. Vejamos portanto cada um destes nomes. São Francisco Xavier do Engenho Velho, era a grande freguesia que se estendia da cidade para o Norte, em terras da antiga fazenda dos Jesuítas, da qual guardaram o nome.


Andaraí, nome de rio, que significa Rio dos Morcegos, ou Rio-que-não-nasce-da-queda, é nome também de serra, de bairro, e de dois vales: o de Andaraí Pequeno e o de Andaraí Grande. Do Andaraí Pequeno saiu a parte atual da Tijuca, o pedaço que vai da Praça Saens Peña para o Alto.

 

Quase tudo isso passou a ser Tijuca. No início, Tijuca era a serra, a floresta e o pico. O nome é de origem tupi: ty-iuc, que significa líquido podre, lama e que evoluiu para o tijuco - brejo, atoleiro e lameiro. Seria de se perguntar, como pode o termo que designa pântano característico de baixada, ter chegado a denominar a mais alta das montanhas da região, e todo o bairro que se formou a seus pés?


A resposta está do outro lado da serra, na lagoa da Tijuca na baixada de Jacarepaguá, que antes de ter esse nome era Baixada da Tijuca, realmente baixa, alagadiça e cheia de lama.

 

É como se fosse assim: um nome que passeou. O nome Tijuca começou bem longe, bem baixo (lá ficou sendo Barra), e veio caminhando, (subindo a Serra), para depois vir descendo pelo vale do Andaraí Pequeno até o Engenho Velho. Como se fosse um líquido ou uma grande mancha, cobrindo todo o bairro com o seu nome, do Alto da Boa Vista até a rua Haddock Lobo.

 

Dentro desta extensão escolhemos para analisar em nosso trabalho a rua Pereira Nunes que é uma conjunção de todas as características principais do bairro. Essa rua nos chamou a atenção por caracterizar uma ambiente bastante diversificado, tenho em vista o enorme números de lojas pertencentes a rua.

 

 


Placa identificadora da Rua

 

Comércio – Um design coerentemente incoerente

 

Na Pereira Nunes, pudemos encontrar diversos tipos de comercio, desde padarias e papelarias, passando por casas de festa e lan house. A arquitetura é a mesma de anos atrás, pois se constituem de lojas e sobre-lojas em casas e edifícios de três andares.

 


Estacionamento


Posto de Gasolina

 
Lan House


Bicicleta de entrega da Tele Mineral

 

O interessante desta rua está justamente na incoerência entre os letreiros das lojas, onde encontramos alguns muito bem elaborados e outros nem tanto.

 


Loja de acessórios de som


Loja de Artes e Atelier


Loja de acessórios para computador

 

Podemos observar que em alguns casos há ausência total de sinalização. E algo que é comum a quase todos os letreiros que é a presença de uma lista dos serviços prestados pela loja, que em alguns casos chega a ser tão extremo, atrapalhando a legibilidade.

 


Assistência técnica de diversos aparelhos eletro-eletrônicos


Loja de objetos de decoração e construção


Loja especializada em Mármores e Granitos


Técnico de Televisão ao lado de um Estofador


Tipógrafo

 

Outro fator curioso é a necessidade de marcar seu “estilo”, onde em duas lojas que ficam uma de cada lado da rua, onde sua identidade é “grafitada”.

 


Loja de churrasqueira e acessórios


Cachorro Louco – Revendedora de Motocicletas e mecânico

 

O caso que podemos citar que mais nos agradou, o qual julgamos ser o mais interessante e incoerente de todas as lojas visitadas é o cabeleireiro Felipe Reis, que ao mesmo tempo tem uma preocupação com o design de seu letreiro, o que nos levaria a acreditar e a considerá-lo um exemplo de bom design da rua.

 


Letreiro do salão de beleza Felipe Reis

 

Porém um fato nos chamou a atenção, preso a porta de entrada e aos vidros podemos encontrar uns cartazes que listam, como os outros, todas as atividades do salão, esse cartaz também é igual em estilo a todos os outros, sendo assim a loja mais incoerente de todas.

 


Lista de atividades e serviços do salão Felipe Reis

 

Conclusão – Um devaneio de duas designers

 

Não podemos esquecer que provavelmente a falta de recursos financeiros impede a melhora destas identidades. Porém por um outro lado, considerando que o design carrega junto de si um “rótulo” de sofisticação, percebemos que em alguns casos os donos dessas lojas preferem deixar seu estabelecimento com estilo mais popular, justamente para dar as pessoas aquela sensação de bairro, de “nossa casa”.

 

 


Bar e Lanchonete

Isso não anula a falta de identidade, pois ela existe, o que questionamos é a real necessidade de mudança dos estilos. Pois se analisarmos com mentalidade de designers, percebemos que a rua não acompanha a evolução da estética e do “bom gosto”, porém acompanha a unidade de um bairro, então, neste caso, a incoerência se torna coerente. Na medida em que analisamos o contexto, podemos nos questionar se o designer realmente ajudaria nesta situação.

 

Sites

Fonte: http://www.sitedatijuca.com.br/