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PUC-Rio
/ Departamento de Artes & Design
Análise Gráfica / 2004.1 Prof. Edna Lúcia Cunha Lima Aluno: Stefano Brandão Taranto Galhardo O papel do design gráfico – a identidade visual da cidade
A proposta deste trabalho é identificar as diversas variantes do design no bairro de Copacabana, passando por pontos importantes. Ainda, constata a situação atual e a maneira como o design é inserido na paisagem e comunicação do bairro. Histórico: O Caminho até aqui... Área de difícil acesso, incrustada entre altas e verdes montanhas, Copacabana permaneceu praticamente isolada do centro do Rio, até o final do século XIX. No início do século XX, sob a gestão de Pereira Passos, foi aberto o Túnel do Leme (atual Túnel Novo). No mesmo ano de 1906, foi inaugurada a Avenida Atlântica, que com as ondas de seu calçamento-mosaico de pedras portuguesas, se tornaria o símbolo maior do bairro e da própria cidade. Na década de vinte, foi inaugurado o Hotel Copacabana Palace, trazendo para o bairro festivos bailes e personalidades internacionais. A partir dessa época, a elite urbana do país - intelectuais, artistas e estrangeiros - instalou-se em Copacabana, onde casas passam a dar lugar a grandes edifícios, tornando a paisagem em símbolo da modernidade. Paralelamente, já marcando a vocação do bairro à diversidade e a contrastes, a ausência de uma boa política habitacional consolidou a favela no cenário, com a ocupação dos morros do Leme e Tabajara. Nos anos 40 e 50, Copacabana concentrava grande parte da vida cultural e noturna da cidade, fermento donde surgiram os primeiros acordes da bossa-nova. Junto a isto, a infra-estrutura, a ampla rede de serviços e a invejável orla de areias claras - marcas do bairro -, fazem do Rio de Janeiro, sonho de consumo mundo afora. A população jovem dos prédios formava as famosas "turmas", ainda hoje lembradas com nostalgia e carinho pelos moradores mais antigos. Copacabana caracteriza-se pela rapidez de seu crescimento e de sua interminável reconstrução. A partir dos anos 60, o bairro famoso passou a atrair cada vez mais gente, em busca do status que conferia. O desenvolvimento desordenado levou Copacabana a tornar-se numa espécie de segundo centro da cidade, lugar de circulação diária de centenas de milhares de pessoas. As transformações e os contrastes fazem do bairro uma enorme síntese estético-social do país: o melhor e o pior, o feliz e o triste, o feio e o belo, o rico e o pobre, juntos lado a lado, numa incessante dialética de confronto e troca. Copacabana Hoje Na conhecida faixa de terra de um quilômetro de largura e quase cinco de extensão, espremida entre o mar e a montanha, existem setenta e oito ruas, cinco avenidas, seis travessas, três ladeiras e seis acessos viários. Mas muitas, são as maneiras pelas quais se pode olhar para Copacabana. Na multiplicidade dos ângulos, talvez o melhor para desenhar os seus contornos, seja o da sua gente. Área que ainda se mantém residencial, Copacabana abriga quase 200 mil moradores. Boa parte deles, acompanhou todas as transformações das últimas décadas: são as pessoas com mais de 60 anos (cerca de 25% da população do bairro, bem mais do que a média nacional, na casa dos 8% entre todos os brasileiros), que formam o alegre e saudoso grupo da terceira idade. No outro extremo, mas dividindo e disputando os mesmos espaços, está a população infanto-juvenil, também muito numerosa na área. Praticamente toda a limitada área do bairro está ocupada. A grande maioria das pessoas espalha-se pelos milhares de edifícios residenciais, desde os suntuosos e históricos prédios à beira-mar até outros mais simples, em cantos mais modestos do bairro. Dos cerca de 25 mil apartamentos da rede hoteleira da cidade, dois terços estão no bairro. Só não há mais, devido à insuperável ausência de espaço. Especialmente no verão, entre dezembro e fevereiro, andar pelo calçadão da Avenida Atlântica expressa esta dimensão "transcultural"; em pouquíssimos outros lugares podem-se ouvir tantos sotaques e línguas diferentes lado a lado.
Este estudo pretende fazer um pequeno panorâma das formas de comunicação e design do bairro de Copacabana. Vai abordar sua arquitetura, projetos urbanísticos, comércio, sinalização, caracterização e localização. Projeto
Urbanístico: Sinalização, Localização
e Caracterização.
O projeto urbanístico de Copacabana era marcado pelas calçadas de pedra portuguesa e pelas placas de sinalização azul e brancas, também presentes em grande parte da cidade.
Porém no primeiro governo de César Maia tivemos a implementação de um projeto urbanístico na Av. Nossa Senhora de Copacabana que deu uma nova roupagem ao bairro. Muito criticado, o Rio Cidade de Copacabana, substituiu as calçadas de pedras portuguesas por outras de concreto armado bem como a sinalização das ruas, com introdução de um novo tipo de placa de sinalização: pequenas e amarelas, que funcionam como as antigas, indicando o primeiro e o último logradouro da quadra. É bom notar que a numeração dos prédios vai crescendo no sentido leme-arpoador e também à medida que se afasta da orla.
Sob
o ponto de vista do design, é evidente que este projeto não
teve muita preocupação em valorizar a 'alma' do bairro,
optando por uma obra crua e prática, que nos dá a impressão
de descaso principalmente se tomarmos como parâmetro outros Rio
Cidade, como o do Leblon. Arquitetura A arquitetura de Copacabana se mistura ao passar dos anos. Podemos encontrar facilmente prédios novos entre os antigos. A maior parte deles possui em torno de 50/60 anos, justamente quando começou a época áurea do bairro (os prédios na orla são os mais antigos). Uma das primeiras obras foi o Hotel Copacabana Palace, inaugurado em 1923, projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, que se inspirou no Hotel Negresco de Nice e no Hotel Carlton de Cannes. Atualmente,
pouca atenção é dispensada para a conservação
e manutenção dos antigos prédios do bairro. Quando
se pensa em realizar obras nestes, os responsáveis buscam pela
mudança da fachada (normalmente utilizando-se de espelho e vidros),
ao invés de optar pela sua restauração e conservação
do espírito arquitetônico. Fica claro que esta segunda
opção iria se encaixar melhor no espírito do bairro,
ao valorizar uma das suas maiores riquezas, a arquitetura. Esta compreende
belos exemplos do art-déco e art-noveau, símbolos da riqueza
da cidade até os anos 60. O edifício Ipyranga - prédio
escolhido por Oscar Niemyer para morar, situado na Av. Atlântica,
ilustra bem esta riqueza.
Arquitetura Contemporânea Devido
à ocupação por completo dos espaços existentes
em Copacabana, a arquitetura contemporânea é verificada
na reforma de fachadas ou, em raras ocasiões, nos hotéis
construídos recentemente em terrenos ocupados pelas ultimas casas
do bairro. Um exemplo da primeira hipótese é o hotel Vanity;
que ocupa um prédio antigo que teve sua fachada espelhada, ganhando
um tom de modernidade que acaba por agredir a paisagem, isto é,
os prédios ao seu redor.
Já o hotel Marriot (acima, à direita) e a academia Bodytech, sao bons exemplos de como a arquitetura contemporânea se impõe no bairro sem agredir seu contexto, só acrescentando ao estilo.
Arquitetura Típica Copacabana
é marcada por construções antigas no estilo art-déco/noveau.
Porém, a falta de conservação e visível
pelo bairro. Ao encontramos exemplos de conservação e
restauração destas estruturas (como a remodelação
do cinema Roxy e o residencial South Beach), verificamos que esta deveria
ser uma política adotada para a revitalização do
bairro, já que não agride a paisagem, ao mesmo tempo,
que conserva o glamour e as características que um dia fizeram
de Copacabana paradigma para cidade.
A Orla A
orla de Copacabana é o trecho do bairro que apresenta maior harmonia
quanto ao seu espírito, apesar de sua modernização.
Os prédios bem conservados, a manutenção do tradicional
calçadão (que agora conta com a ciclovia), os novos postos
e quiosques e a uniformidade dos bares da Av. Atlântica que se
utilizam de imensos guardas-sol brancos, compõem este cenário.
Apesar disso, a orla é afetada pelo descaso social. Ao anoitecer,
é tomada por prostitutas, meninos de rua e ambulantes, devido
ao grande numero de hotéis e de turistas, que por ali transitam.
O Estado deveria atentar para uma melhor organização urbana
neste trecho.
Estabelecimentos Comerciais O
tom popularesco do bairro acaba por refletir no design dos estabelecimentos
comerciais. É notória a poluição visual
que estes causam em Copacabana.
Por causa da grande quantidade de lojas, a concorrência é bastante acirrada. A falta de projeto e a necessidade de se destacar de alguma forma no meio de tantas lojas, faz com que os comerciantes optem normalmente por seus conceitos particulares. O design vernacular e o popular caracterizam a maior parte dos letreiros e projetos no bairro. Através da utilização de letreiros com fontes gigantescas, nomes em língua estrangeira e/ou cores gritantes, somados ao design popular, cria-se a sensação de confusão e poluição visual. Os comerciantes não têm o costume de procurar especialistas em design para a realização de seus projetos, muitas vezes, até por desconhecer que existem pessoas especializadas para este tipo de trabalho.
Conclusão Devem
ser feitas, algumas observações, por ultimo. O cenário
do bairro e sua paisagem, apesar de abandonados em grande parte, apresentam
grande riqueza arquitetônica. Tem-se que adotar uma política
de restauração desse patrimônio e sua conservação.
Neste mesmo sentido, o projeto urbanístico do bairro deveria
caminhar. Além
disso, deveria haver maior preocupação com a poluição
visual do bairro causada pelos diversos estabelecimentos comerciais,
que na maioria das vezes não tem investimento em projeto e em
design - muitas vezes por total falta de informação e
ignorância dos comerciantes. Na
convergência de todas estas diferenças, torna-se cada vez
mais difícil definir Copacabana.
Bibliografia www.ipcopa.org www.copacabana.com www.rio.rj.com.br |