PUC-Rio / Departamento de Artes & Design
Análise Gráfica / 2004.1
Prof. Edna Lúcia Cunha Lima
Alunos: Leandro Henriques e Guilherme Petti

O papel do design gráfico – a identidade visual da cidade


Tijuca


Introdução

Escolhemos como objeto de análise a praça Saens Peña, o principal centro urbano do bairro da Tijuca.

A praça Saens Peña é um grande centro comercial, por onde passam inúmeras pessoas por dia, de quase todos os bairros do Rio de Janeiro. Isso se dá também por conta do elevado número de linhas de ônibus que passam no local, por vezes tendo seus pontos finais na área, e à estação terminal da linha 1 do metrô. A praça é ainda utilizada como área de lazer pelos moradores locais, sendo bastante freqüentada por idosos, que ficam conversando e jogando cartas. No entanto, há alguns anos ela não é mais alternativa para pessoas que procuram outros tipos de lazer, devido ao fechamento de vários cinemas que ali existiam, que viraram hoje, em sua maioria, igrejas.

Contexto:

A praça Saens Peña era antes uma área de chácaras, grandes propriedades de famílias tradicionais. Essas famílias buscando o desenvolvimento da região começaram a abrir ruas em seus terrenos, o que atraia mais movimento. Em 1820, surgiu no Andaraí Pequeno,como era chamado aquele espaço, a Fábrica das Chitas, onde se estampavam tecidos de algodão vindos da Índia. Ela se manteve em atividade por apenas uns 20 anos, mas aquele local permaneceu conhecido como Largo da Fábrica. No fim do século XIX, algumas fábricas se deslocaram do centro para bairros com terrenos mais vastos, e no século XX já podiam ser encontradas diversas fábricas na Tijuca, o que tornava o bairro muito movimentado. Foi então que em trinta de abril de 1911 foi inaugurada a praça Saens Peña, o que transformou o velho Largo da Fábrica num espaço agradável para as famílias residentes do populoso bairro. A praça recebeu esse nome em homenagem ao presidente argentino, Roque Sáenz Peña, eleito em 1910 e que serviria até 1914, tendo falecido antes de terminar o mandato. Mais recentemente, em 1982, um outro grande acontecimento marcou a história da praça, a chegada da estação de metrô, que tem um fluxo de cerca de 80 mil pessoas por dia, sendo a segunda estação mais movimentada do metrô.


Praça Saens Peña em sua inauguração

Seção da Rua Conde de Bonfim em 1892

Pesquisa:

O que analisamos da praça Saens Peña foi o segmento da rua Conde de Bonfim que é diretamente frontal a própria praça. A praça não possui nenhuma sinalização com seu nome, somente há essa indicação nas saídas da estação do metrô.

O que foi percebido por nós é a predominância do novo nessa área, restando de tradicional, apenas resquícios do que já foi um dia, como por exemplo o Café Palheta.

Análise:

Bradesco:

O Banco fica localizado na esquina da Rua Conde de Bonfim com General Roca. Seu projeto de identidade visual foi refeito. Usa um símbolo (a árvore dentro de um quadrado vermelho indicando energia, força, crescimento) e um logotipo (a palavra Bradesco escrita em fonte específica). Como poucas pessoas distinguem símbolo e logotipia, tornou-se usual a expressão logotipo para designarmos a identificação visual de uma empresa.A nova identidade visual une não apenas os nomes, num layout moderno, mas ressalta todo o dinamismo, confiança ... O letreiro é feito em alumínio escovado nas cores branca e vermelha.

C&A:

Assim como as Lojas Americanas, a C&A é uma das lojas mais antigas da praça. Seu design é simples e harmonioso. De origem holandesa, foi fundada em 1841 pelos irmãos Clemens e August, cuja união das inicias de seus nomes resultou na marca C&A. Houve uma reforma há poucos anos.A loja ganhou detalhes em alumínio escovado e a cor base do prédio é cinza. Ela possui três letreiros. Um em frente à entrada, outro em 90° para melhor visualização das pessoas que andam na calçada, e o ultimo bem maior na parte de cima do prédio para um maior alcance visual (todos os três são iluminados).

Lojas Americanas:

A palavra “Loja”, no nome da empresa, foi uma novidade que designava um novo estilo de vendas, diferente dos estabelecimentos da época, denominados “casa”.
O letreiro da loja de nosso estudo é antigo, pois as lojas mais novas possuem duas linhas horizontais onde o nome fica localizado entre elas. A loja repete o letreiro em maior escala na parte de cima do edifício para uma melhor visualização em longa distância. Em toda a região da praça é possível ver o letreiro. Obs: Os dois letreiros iluminam à noite.

Galeria Vitrine da Tijuca:

A maior e mais movimentada galeria deste trecho da praça é que também tem a placa mais escondida de todas, esta fica localizada atrás de uma viga de concreto. Ela é feita em madeira com o seu nome pintado a mão, só que possui um grafismo característico na palavra “Tijuca”, que seria uma tentativa de uma marca.

Esta galeria é muito utilizada como um corredor entre a Rua Santo Afonso e a Conde de Bonfim, o que faz com que grande parte de sua sinalização interna se dirija a pessoas que não estão necessariamente procurando uma loja.

É interessante também perceber que nos dois andares acima do térreo, as lojas enchem suas vitrines com informações para quem estaria ao longe nas ruas e nas próprias vitrines dos corredores a frase: “Visite o segundo andar.”

Galeria Praça Saens Peña:

Sinalização mais simples possível, feita com uma placa de madeira, com as letras pintadas a mão em vermelho que diz o nome do edifício na qual ela se situa. Não há nenhuma marca ou símbolo que a represente. Ela possui lojas alimentícias e de roupas, que não são de redes famosas. Assim como a Vitrine da Tijuca, ela também é muito utilizada como um corredor entre a Rua Santo Afonso e a Conde de Bonfim.

Galeria Conde de Bonfim:

A única das três galerias deste trecho da Conde de Bonfim que não tem saída na Rua Santo Afonso é também a que possui a maior unidade entre sua fachada e as lojas que nela estão. Está galeria é também identificada pelo nome do prédio em que está e a identificação é feita somente pelo nome do edifício em letras de aço escovado. Por ser também curta e só possuir lojas de vestuário, sua sinalização pode se dirigir somente a quem procura esse tipo de serviço.

Igreja Universal do Reino de Deus:

A Igreja Universal do Reino de Deus está exatamente no local onde era o cinema Carioca. A estrutura do edifício não mudou nada. As pilastras com iluminação na parte superior e os grandes portões ainda continuam intactos. O letreiro é feito em alumínio com tons de prata e ouro. Essas cores são utilizadas para criar um aspecto nobre, clássico, imponente, luxuoso e iluminado. Perfeito para assuntos ligados a fé, riqueza e solidez. As enormes pilastras dão uma certa imponência combinando perfeitamente com a proposta.

Café Palheta:

Um dos últimos estabelecimentos realmente tradicionais da Tijuca, o Palheta teve um desfecho diferente. Ao invés de ir a falência, um acordo entre os proprietários e a Subprefeitura da Tijuca deverá manter a casa aberta, no mesmo lugar onde entrou para a história do bairro e da Cidade,só que com um novo formato. No momento o que existe no local é uma faixa dizendo que a prefeitura irá manter o Café na Saens Peña.

Banca Saens Peña:

A mais conhecida e uma das mais tradicionais bancas de jornal da tijuca, portanto não é íntima como bancas em ruas residenciais. Esta é bem grande, e o seu proprietário utiliza todo o espaço físico que possui para pendurar seus produtos. O nome mesmo da banca aparece perdido e não muito grande na entrada da banca.

Conclusões:

O design na praça Saens Peña é feito de maneira bem popular na maioria dos casos ali presentes. Há sempre a impressão dos proprietários que quanto mais anúncios eles colocarem a mostra, mais atenção eles irão conseguir. Mas, também existem na praça alguns grandes estabelecimentos como a C&A que percebem o quanto é importante uma área de respiro de toda aquela informação aglomerada, detalhe que não é nem percebida pelas Lojas Americanas, que já são tradicionalíssimas no mercado.

Uma solução interessante de design para a praça, que é possível somente hoje que não existem mais as dezenas de camelôs frente às lojas, seria uma despoluição visual, criando espaços entre as sinalizações, o que daria a cada uma delas uma maior diferenciação. Isso faria com que as pessoas que por ali transitassem não vissem um aglomerado de coisas, mas sim diversos anúncios dispostos ao longo da rua.

Bibliografia:

DEZOUZART, Elizabeth et alii, História dos Bairros: Tijuca
Rio de Janeiro: Index Editora