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PUC-Rio
/ Departamento de Artes & Design
'A Cultura Oriental representada nos Posters e Cartazes para Filmes'
Introdução - Este trabalho
- Interesse por cinema e peças gráficas em geral, - Interesse pessoal em relação à temática oriental e o modo como é representada, - Criar material educativo e observatório sobre os modos de representação da cultura oriental, baseado nos cartazes e posters produzidos para filmes que abordam esta temática, já que foi constatado a carência deste tipo de material, - Produzir material informativo sobre os significados de alguns signos, cores na cultura oriental; com a intenção de diminuir o abismo cultural existente entre o oriente e ocidente.
Posters e Cartazes - Breve Histórico
A integração entre produção artística e industrial é exemplificada na carreira de Jules Cherét. Filho de um compositor tipográfico e aprendiz de um litógrafo em Paris, ele foi para Londres estudar as técnicas mais recentes. De volta a Paris em 1860, Cherét gradualmente desenvolveu um sistema de 3 a 4 cores de impressão. O estilo de Cherét atingiu seu auge por volta de 1880 e foi adotado e desenvolvido por outros artistas como Pierre Bonnard e, o famoso Henri de Toulouse-Lautrec. Consagrado por retratar cenas da vida noturna e do submundo parisiense. Segue dois de seus trabalhos: 'Ambassadeurs' e 'Moulin Rouge'
Na virada do século XX, o movimento mais importante no design de cartazes era a Art-Nouveau. Os cartazes artísticos deste período, demonstraram liberdade estética e ousadia criativa que acompanhou o primeiro confronto com as inovações tecnológicas em produção gráfica. A utilização
dos posters e cartazes variava de objetivo e público alvo de
acordo com a fase histórica. Já foi essencialmente artístico
em alguns períodos, como também impregnado objetivos políticos,
como de recrutamento, durante a Iª Guerra Mundial.
A melhor forma de compreender as representações da temática oriental é através de símbolos e associações, entre os quais, as cores. Citando uma grande estudiosa das cores japonesas, Sonia Luyten faz a seguinte observação a esse respeito: "As cores no Japão, se de um lado são suaves, de outro são muito diretas e não causam boa impressão num primeiro momento. Os japoneses, em contraste com os ocidentais, têm uma visão das cores num plano horizontal intuitivo e dão pouca atenção à influência da luz. As cores, mesmo intensas ou suaves, não são muito identificadas com base no reflexo de luz e sombra, mas em termos do significado ou sentimento associado a elas. Os adjetivos usados para descrever as cores, como por exemplo iki (sofisticado ou chique), shibui (subjugado ou reprimido) ou hanari (alegre ou jovial), salientam mais a sensibilidade do que os valores das cores frente a cada uma." O vermelho encontrado não é um "vermelho quente", é um vermelho escuro (como o sangue fresco). É o efeito da junção de dois elementos vermelhos que simbolizam a vida: o sangue e o sol. Ambos são indispensáveis para a vida, e a vida é uma luta. Outras cores muito importantes são o azul e, ligado a ele, o branco. Ao contrário do que acontece com o vermelho, os tons de azul são sempre bastante pálidos (é interessante notar que uma das palavras para azul em japonês é "ao", que também significa "pálido"). Azul e branco estão intimamente unidos aqui, bem como os demais tons pálidos e, ligados à idéia de "pálido" do azul, temos outros elementos como a água e a neve. O sangue é considerado, no oriente, um símbolo de vida e, por isso, não é tão "mal-visto" como no ocidente, onde sua visão é sempre associada apenas à "perda da vida". O sangue é sempre um símbolo para força e vitalidade. Como o fogo (com o qual compartilha sua cor vermelha na simbologia universal), o sangue tem sempre os dois lados de presença e de perda da vida. A água é um símbolo bem diferente do sangue: ela é geralmente fria, é considerada mais "calma", "passiva" ou feminina" (em contraste com o sangue, que é sempre quente enquanto corre e é normalmente associada ao "ímpeto", ao "ativo" e ao "masculino"). A água tem ainda um caráter purificador, enquanto o sangue, mesmo no imaginário japonês, tem sempre uma idéia de impureza por estar também associado à morte. Ainda mais um atributo da água: a sua capacidade de refletir imagens. A simbologia do espelho é clássica, é uma forma de nos vermos como os outros nos vêem, e também um momento de introspecção, uma oportunidade para entrar em contato com nosso "eu" verdadeiro. No Japão, esse caráter purificador da água está ainda mais fortemente associado a sua outra forma, a neve. A natureza tem uma profunda importância simbólica na vida do povo japonês. Tradicionalmente, tudo é regido pelas estações: as cores das roupas, as flores usadas nos arranjos, as comidas e bebidas a serem servidas. No mundo moderno e nas grandes metrópoles, distantes dos campos e florestas e com o tempo definido a partir do relógio, e não mais pelo sol, tais elementos adquirem cada vez mais a força de símbolos.
Análise Individual do Material Gráfico
Estas observações tem o intuito de fazer um pequeno panorama de como a cultura oriental vem sendo representada nos posters e cartazes para filmes. Para participar deste estudo, foram escolhidos e analisados obras tendo como parâmetro, a comunicação da temática do filme com as peças gráficas produzidas para representá-lo. Segue, anteriormente aos cartazes, uma pequena sinopse dos filmes para melhor observação dos comentários.
Kill Bill Vol 1. (Kill Bill Vol 1 (EUA): 2003) O filme trata de uma releitura dos filmes de arte marciais e sua influencia nos seriados americanos de kung fu da decada de 70.
O diretor
busca inspiração em objetos que marcaram os filmes de
kung fu dos anos 70 para a identidade desta nova produção.
Como por exemplo: o amarelo do cartaz e da roupa da personagem principal,
foi inspirada na antiga veste do ator ícone dos filmes de luta
Brece Lee, esta cor para os japoneses, representa a traição
e poder. Os banhos de sangue característicos dos filmes, podem
ser encontrados facilmente nos vários posters de divulgação.
Império do Sol (Empire of the Sun (EUA): 1987) Retrata o dilema de um menino britânico que se perde de seus pais e a realidade da China durante a guerra, sendo invadida pelo Japão, no início do século. Durante sua jornada verifica-se o grande choque cultural entre os povos do ocidente e o oriente.
Os posters
fazem menção direta à bandeira japonesa. Por se
tratar de um filme de guerra, o que contradiz a filosofia oriental,
principalmente nipônica, o material gráfico ganha um segundo
entorno. Em ambos fica visível que há uma mácula
(lágrima e mancha) à imagem da bandeira. No filme, esta
lágrima pertence ao garoto que se perde de seus pais, porém,
pode também ser considerado, uma representação
do povo japonês sofrendo por causa da guerra.
Trilogia Karate Kid (Karate Kid (EUA): 1984,1986,1989) Trata da relação entre o aprendiz (novo) e o mestre (antigo) que pode também ser entendido com a relação entre o ocidente e o oriente. Observando principalmente como a filosofia reflexiva vai sendo pouco a pouco absorvida pelo novo.
O Último Samurai (The Last Samurai, (EUA): 2003) História de um soldado americano que se vê defrontado com a filosofia samurai. Essa nova perspectiva leva-o a rever seus conceitos e seus ideais.
No Japão,
as cores vermelhas significam sangue e vida, já nos posters de
temática oriental estão sempre ligadas à figura
do sangue, batalhas e do samurai. Nos muitos cartazes deste filme, aparece
no meio das fotografias, que são sempre caracterizadas com tons
de saturação baixos. A presença dos ideogramas
também e muito grande, para fazer uma referência direta
à valores importantes da cultura samurai. Outra menção
explicita sobre estes valores é a descrição do
titulo 'honra' encontrada no meio do último cartaz.
Kundun (Kundun, (EUA): 1997) História de um menino que e visto como a nova reencarnação de Buda. Durante o filme o telespectador se aprofunda na cultura budista e em sua filosofia.
A semelhança dos cartazes, apesar de terem sido produzidos em épocas diferentes, é notável. As histórias e o período de tempo em que elas ocorrem também são diferentes.
Sonhos (Yume, (Japão) 1990) Dividido em oito segmentos que falam da ligação entre a destruição da natureza e a destruição do homem. As histórias mexem em valores de grande importância na esfera oriental, como dignidade, respeito e honra.
Conflitos entre o homem e a natureza afetam valores de grande importância da vida dos seres humanos. O arco-íris se desmanchando na frente da mulher, ilustra a destruição da natureza e conseqüentemente a do homem. Aqui pode-se notar, mais claramente, as diferenças estéticas de uma peça gráfica produzida no ocidente e outra no oriente. Apesar de utilizarem praticamente os mesmos elementos, pode-se notar que no ocidente existe uma maior preocupação com a presença de ilustrações ou fotografias para poder comunicar. Já o oriental é bem mais gráfico e tenta prender-se aos elementos figurativos essenciais. A diagramação também é característica.
Ran (Ran, (Japão/França) 1985) Uma livre adaptação de Rei Lear, de Shakespeare, mantendo apenas a linha principal da historia. Um épico com imagens belas e detalhadas, batalhas grandiosas e sangrentas.
Utilização de figuras de guerra e ideogramas que lembram manchas de sangue.
Kagemusha (Kagemusha, (Japão) 1980) Ladrão se passa por grande guerreiro samurai e por vias do destino toma seu lugar, ganhando respeito de seus aliados e intimidando seus inimigos.
A figura do guerreiro samurai é ligada ao vermelho que pode representar sangue, guerra e vitória. A vestimenta característica pode ser notada através do vulto de sombra. O cartaz oriental possui um layout completamente diferente do usual, onde predomina uma configuração horizontal, diferentemente das verticais usuais.
Síntese e Conclusões Finais O fenômeno observado exemplifica como a representação de um certo tema pode ser feita. Nos cartazes, a menção ao assunto de origem oriental foi feita de forma figurativa, utilizando-se sempre de elementos e signos explícitos que remetessem a cultura estrangeira, como os ideogramas, as cores características ou os aspectos culturais e éticos (filosofia e aspectos sociológicos). É notável a diferença entre dois cartazes de um mesmo filme e seu lugar de origem. Quando a produção é feita no ocidente, ele está impregnado de signos figurativos. Os produzidos no oriente, já possuem uma abordagem muito diferente. Este fator é possível graças a linguagens caracteristicas da cultura oriental. Pode-se perceber, por exemplo, que a percepção visual e escrita dos cartazes, é feita do lado direito para o esquerdo (diferentemente da linguagem ocidental), exemplo de fenômeno que já caracteriza toda uma diagramação específica e por isso uma estética muito singular. Devido ao abismo cultural existente entre o ocidente e o oriente, é necessário que o designer tenha conhecimento e percepção necessária, para poder representar de maneira satisfatória a temática nas peças gráficas, assim, otimizando a qualidade do seu trabalho.
Bibliografia Revista Set Revista Bravo http://www.epipoca.com.br http:// adorocinema.cidadeinternet.com.br http://geocities.yahoo.com.br/andarilho_net/rurouni_kenshin.htm
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