PUC-Rio / Departamento de Artes & Design
Análise Gráfica / 2005.1
Prof. Edna Lúcia Cunha Lima
Alunos: Carolina Britto e Marcelo de Sousa
O papel do design gráfico – a identidade
visual da cidade
Rua Marquês de São Vicente
Introdução:
Realmente nunca havia reparado muito nos letreiros e na sinalização
da rua em que passamos todos os dias na ida e volta da Puc, já
há cinco anos (no caso, a Rua Marquês de São Vicente,
a principal rua do bairro da Gávea). Na realização
do trabalho percebemos algumas questões que envolvem nossa profissão,
e refletimos sobre a atual importância do design nos dias de hoje.
A história da Gávea Antiga:

A Gávea era chamada pelos índios de "Região
de Piraguá", uma referência a aldeia próxima
a atual Lagoa Rodrigo de Freitas. Os primeiros ocupantes da Gávea
foram os franceses, que na época exploravam o Pau-Brasil. A primeira
vez que foi chamada de Gávea foi por Estácio de Sá,
em uma carta enviada ao Governador Geral Men de Sá, em 16 de
julho de 1565.
A denominação "Gávea" é a tradução
do termo francês "La Hune", que significa o fagão
de crista chata, lançado do mar às alturas e muito semelhante
às Gáveas. Desde o início de seu processo de povoamento,
a Gávea foi primordialmente uma área residencial devido
a distância do Centro. Onde hoje é a Rua Marquês
de São Vicente existia apenas uma pequena casa onde depois foi
construída a igreja de Nossa Senhora da Conceição
da Gávea, padroeira do bairro. A Igreja ficou pronta em 28 de
outubro de 1852.
A Urbanização da Gávea:
A expansão populacional começou na Gávea com o
surgimento de várias fábricas de tecidos como a Corcovado,
a Carioca, o Cotonifício da Gávea e a Fábrica de
Chapéus do Braga. O que cresceu muito foi o Largo das Três
Vendas, onde hoje é a atual Praça Santos Dumont. O Largo
tinha esse nome, por causa das três mercearias ali existentes.
Devido ao desenvolvimento da indústria, começou a surgir
na Gávea uma população proletária que vivia
no "Parque Proletário da Gávea" onde as condições
de vida da população eram bastante precárias, havendo
enorme deficiência, principalmente na parte de saneamento básico
e iluminação, em função aos baixos salários
pagos pelas fábricas da região.
A Gávea ia do arpoador à Barra da Tijuca quando foi instituída,
em 1873, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da
Gávea, incluindo Ipanema, Leblon, Gávea, Lagoa, Jardim
Botânico, Vidigal e São Conrado.
A Rua Marquês de São Vicente era o trecho mais famoso do
Circuito da Gávea, que até a década de 50 integrava
o calendário internacional das grandes corridas de automóveis.
· A corrida internacional de automóveis deve ter sido
a mais alucinada festa de rua do Rio de Janeiro, depois do carnaval.
O circuito da Gávea - Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro
durou de 1933 até 1952.
A Gávea encerrou a era industrial em 1988, quando fechou o Laboratório
Merrell, cedendo a esquina da Rua Embaixador Carlos Taylor para um pequeno
shopping, o Gávea Trade Center. A lista de bens tombados na Gávea
é inesgotável. Inclui, desde 1965, quase a metade do bairro,
ou seja, tudo o que está nos 470 mil metros quadrados do Parque
da Cidade.
O comércio na Rua Marquês de São Vicente:
Decidimos por detalhar o comércio em Design Formal, Design Informal
e um design que seria um meio termo, não tão trabalhado
e também não tão vernacular.
O comércio se encontra mais diversificado, na área analisada,
provavelmente por se situar perto de grandes concorrentes que atendem
a uma fatia maior do mercado.
Design Formal:

O supermercado Zona Sul, atende à população do
bairro por ser único. Talvez seja este o único exemplo
no início da rua que tenha uma identidade visual criada por algum
designer, pelo tamanho e importância do estabelecimento e pelo
fato de que um supermercado deve passar uma sensação de
segurança e profissionalismo para seus clientes. Sendo um supermercado
de elite, se encontra apenas em bairros de classe média, ou alta.
A marca foi redesenhada com pequenas alterações, sendo
ela, a mudança do logotipo escrito em caixa alta, para versal.

A placa é um projeto de sinalização feito por um
designer que foi aplicada em todo a cidade do Rio de Janeiro, com exceção
do Leblon que teve sua urbanização redesenhada.

O Banco Real é um dos maiores bancos privados do país.
A agência se encontra com o logotipo e fachada totalmente modernizados
e bem resolvidos. Hoje se apresenta com técnicas que antes não
eram tão difundidas como recortes em vinil e recortes em alumínio,
um misto de projeto de produto e programação visual, mostrando
a nova tendência de aplicação de identidade visual
e sinalização nos dias de hoje.

O shopping Gávea Trade Center existe desde 1991 e não
sofreu nenhum redesenho em sua marca. A marca enfatiza a Pedra da Gávea,
simbolizando um ícone do bairro. Na fachada do shopping existe
um desenho onde aparece as montanhas do Rio, tendo a Pedra da Gávea
no centro da imagem, destacada por um grafismo azul e o sol acima da
mesma.

No restaurante Sushi Gávea, a fachada em fundo branco, apresenta
no lado esquerdo um circulo vermelho que representa a bandeira do Japão,
por cima deste circulo há um grafismo simbolizando o Hashi que
é o “talher” usado na cozinha japonesa. Ao lado está
uma faixa arqueada também na cor vermelha que sustenta a marca
do restaurante. O logotipo é escrito em cor preta numa fonte
que não se encaixa na idéia de restaurante japonês.
Design Informal

No meio da Marquês de São Vicente, o Bar Simpatia da Gávea
teve seu logotipo redesenhado, visando formalizar a marca, usando uma
fonte itálica ornamentada, com destaque ao nome do bairro que
aparece na cor vermelha. A fachada é triangular e usa o fundo
branco, apenas o centro é ocupado pelo logotipo. É um
botequim, um “pé-sujo” clássico, que se mantém
a anos as custas dos mesmos fregueses que reconhecem o estabelecimento
como simpatia.

O Craque das Chaves é uma cutelaria e chaveiro. Em sua fachada
em fundo branco, está o logotipo que tenta simular o desenho
de um chaveiro, com a letra “o”, e duas chaves com as palavras
“craque” e “chaves”. A tipografia foi desenhada
para simular os dentes da chave, aumentando e diminuindo seus caracteres.
O logotipo do estabelecimento se mostra feito por alguém que
tem uma mínima noção de design, a julgar pela brincadeira
com a tipografia. Pode não ser do gosto de todos, porém
remete ao tipo de serviço oferecido lá. No lado esquerdo
existe uma placa descrevendo os serviços oferecidos pelo estabelecimento
escrito com uma tipografia vernacular.

A Igreja Universal do Reino de Deus é uma igreja que não
se localiza somente na Gávea, sendo a sua fachada é a
mesma em todos os bairros. Utiliza-se de um slogan que é escrito
em uma fonte no estilo Gótico, na cor vermelha para dar ênfase
ao logotipo. O nome da igreja é escrito em azul, com uma tipografia
sem serifa. Também esta presente um símbolo que é
composto de um coração vermelho e uma pomba branca, ícone
da paz, centralizada neste. Embaixo da fachada principal o nome e o
slogan da igreja aparecem repetidamente.

O Centro Ortopédico da Gávea possui em sua fachada de
cor branca, a marca com o desenho de um osso, na cor cinza sobreposto
pela abreviação do nome da clínica que está
posicionado na diagonal e na cor vermelha. O nome por extenso, está
localizado a baixo desse símbolo, também na cor vermelha.
A baixo da fachada há uma repetição do nome da
clínica com alguns de seus serviços, e telefone que são
escritos em alto relevo e em metal, com o fundo vermelho.

A loja Ponto de Luz tem uma fachada muito simples na cor branca, e seu
nome aparece em caixa alta na cor azul, centralizado. Nas laterais foram
escritos os produtos oferecidos pela loja, e o telefone da mesma diagonalmente
na cor vermelha.

A rua possui duas padarias e confeitarias. A primeira é a Gávea’s
House, que tem uma fachada simples e clara. Com fundo branco, seu logotipo
é escrito em uma tipografia vermelha, abaixo do tipo do estabelecimento
escrito em fonte diferente em azul. Como em outros estabelecimentos
já analisados nesse trabalho, o nome é repetido embaixo
da fachada, com o fundo e a tipografia iguais.
Bem diferente da primeira, a Confeitaria Gávea Shop possui uma
fachada de cor azul com a marca da Kibon que é conhecida e passa
credibilidade ao consumidor que, inevitavelmente associa a loja ao produto.
É engraçado notar que ao entrar encontramos não
só produtos da Kibon como também de seus concorrentes
em abundância. O nome da padaria é escrito em uma fonte
serifada em vermelho com a outline em branco e a tipografia se repete
texto “entrega a domicílio”. Já os serviços
oferecidos e o telefone, estão escritos em outra tipografia,
está é sem serifa.
A segunda tentou se modernizar usando uma fachada colorida que chama
a atenção do consumidor. Enquanto a primeira utilizou
uma linguagem funcional.


A rua possui quatro dentistas. A primeira placa de dentista é
apenas uma sinalização mostrando que possui um dentista
no segundo andar de um prédio, com o fundo azul e a tipografia
em branco apenas apresenta a palavra dentistas e o numero da sala.
Os outros três dentistas apresentam o dente como símbolo
em sua fachada. A palavra dentistas está sempre presente com
o telefone para que os clientes possam marcar hora e algum dos serviços
oferecidos. O que varia são as cores utilizadas no fundo e na
tipografia, em dois casos esta presente também um fachada lateral.

A ultima imagem que é de uma papelaria tem o típico design
vernacular. Alguns tipos do letreiro já caíram e alguns
foram recolocados e outros não. É possível perceber
a diferença das tipografias, não só pela cor como
pelo desenho da fonte.
Conclusão:
É considerado como design o resultado de um projeto. A criação
em design passa pelo ato intelectual, em busca de adequação
do objeto à sua função, ao público, e ao
meio ao qual ele será inserido.
Existe design feito por alguém que não é designer,
mas nem tudo o que existe, em termos de comunicação visual,
é design.
A maioria dos letreiros trata se de designer vernacular. Poucos são
os estabelecimentos que se preocupam com o visual. Embora confuso, o
comércio não deixa de ser eficiente. A atuação
de um design no bairro, padronizando-o, propondo maior coerência
entre os estabelecimentos e seus serviços talvez não seja
cem por cento eficaz, uma vez que o comércio tem tradição
em atender as necessidades locais e por possuir um grupo de consumidores
bastante específico. Por outro lado, precisa de organização
com relação à hierarquia entre as informações,
oferecendo melhor seus produtos e serviços.