PUC-Rio / Departamento
de Artes & Design
Análise Gráfica / 2005.2
Prof. Edna Lúcia Cunha Lima
Alunos(as): Carolina Lage Rocha e Luciana Claro
O papel do
design gráfico - a identidade visual da cidade
Cachambi
Introdução
Por
que este lugar?
O bairro Cachambi foi
escolhido por apresentar diversidade cultural, já que seus
habitantes estão divididos entre classe média-alta
(minoria), classe média, classe média-baixa e classe
baixa (maioria), conforme os dados do Censo 2003.
Um fator importante, também, foi a facilidade de acesso ao
bairro, tanto para a pesquisa fotográfica como para outros
fins, devido ao fato de residirmos, uma no próprio bairro
e outra em um bairro próximo, chamado Riachuelo, e que abrangidos
pela mesma região administrativa.
Vale ressaltar que o bairro é bem recente e, por conseqüência,
sua história muito curta, tornando-se um desafio levantar
essas informações.

Localização
do bairro no mapa do Rio de Janeiro
|

Localização
do bairro no mapa (satélite) do Rio de Janeiro
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Histórico
A
origem do bairro Cachambi vem de um arraial, chamado Arraial do
Cachambi, onde foi explorada, durante vinte anos, por Lucídio
José Candido Pereira do Lago (que dá nome a uma rua
do Méier), uma linha de carris de ferro.
Devido a isso, o local onde, atualmente, situa-se o bairro Cachambi,
foi o primeiro a ter uma linha de bondinhos puxados a burros que
trafegava pelos subúrbios.
É um bairro inserido na região administrativa do Grande
Méier, nomeada a capital do subúrbio carioca.

A
ocupação da região do Grande Méier começou
quando Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro,
doou aos jesuítas a extensa sesmaria de Iguaçu, que
englobava uma vasta extensão de terras, incluindo os bairros
do Grande Méier e de outras regiões.
No entorno do atual bairro do Méier, os padres instalaram três
engenhos de açúcar: Engenho Velho, Engenho Novo e São
Cristóvão.
Os jesuítas utilizavam grande número de escravos em
seus empreendimentos, o que impulsionou a ocupação territorial
e a expansão demográfica da área.
Logo após, em 1759, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas
e as terras passaram às mãos de Manuel Gomes, Manuel
Silva e Manuel Teixeira. Com objetivo de explorar a madeira e posteriormente,
para cultivo de frutas e hortaliças. Os três devastaram
as matas ainda existentes, formando os grandes espaços vazios
que atraíram posseiros e foreiros e permitiram a ocupação
do solo. Podemos perceber então porque o bairro não
possui áreas verdes.
Em 1888 foi criada a estação de trem do Méier.
A partir daí as terras foram loteadas e as ruas pantanosas
foram saneadas.
Após a criação da linha auxiliar (Estrada de
Ferro Rio D’ouro), incrementa-se a ocupação em
outro sentido e de forma mais regular, dando origem aos atuais bairros
do Cachambi, Maria da Graça e Del Castilho.
O Cachambi é um bairro de criação recente, a
data do decreto de sua criação é 23 de julho
de 1981. Por ser um bairro muito novo, ainda não há
muitas menções sobre sua história.
Apesar de 23 de julho ser a data oficial de criação,
a data proposta para seu aniversário é 2 de dezembro.
Isso devido à inauguração de uma linha que atingia
a antiga Fazenda de Cachambi e por coincidir com a data de aniversário
de Dom Pedro II.
Sua área total, segundo dados do Censo 2003, é de 225,02
hectares. Sua população é de 41.334 habitantes,
com predominância jovem, onde 22.743 são do sexo feminino
e 18.591 do sexo masculino, ou seja, sua população é
de maioria feminina (Censo 2003).
Mesmo sendo um bairro com uma população de maioria jovem,
possui alta longevidade em relação à cidade,
com uma média de 69 a 72 anos.
A mortalidade infantil é considerada baixa no bairro, em torno
de 5 a 10 crianças por mil habitantes.
A renda média do bairro é de 5 a 6 salários mínimos,
considerada menor que a da cidade (fixa em 6 salários mínimos).
Com isso, podemos afirmar que, a população do bairro,
em sua maioria é de classes C, D e E, apresentando exceções,
com uma pequena parcela da população de classe B e classe
A.
Possui seis escolas municipais e uma estadual. Apresenta, praticamente,
toda a sua população alfabetizada, com uma faixa de
alfabetização entre 98% e 99%.
É importante ressaltar que o bairro possui um grande número
de pessoas com nível de instrução superior, apresentando
uma faixa entre 20% e 25%, acima da média da cidade.
É formado, essencialmente, por residências, com um total
de 13.636 domicílios. Dentre eles 8.947 são apartamentos,
ou seja, a maioria.
Não há presença de favelas no bairro, somente
em alguns bairros próximos.
A violência e a criminalidade são considerados, por 51%
da população, os maiores problemas da região,
seguidos do item saúde. Esses seriam os principais fatores
que levariam os moradores a se mudarem, onde a maioria troca seu bairro
por outro da mesma região.
O pequeno número de praças e a falta
de opções de lazer também são alguns dos
maiores motivos relacionados à mudança da população
da região (24%).
-
Características da região:
• Média natalidade;
• Esvaziamento parcial da população, na maioria
para outros bairros da própria região;
• Baixa oferta de emprego local;
• Renda média baixa;
• Baixo acesso aos recursos monetários;
• Baixa oferta de habitação;
• Áreas livres disponíveis para edificação;
• Altas taxas de alfabetização;
• Educação superior acima da média;
• Alta longevidade;
• Baixa mortalidade infantil; e
• Baixa concentração de pessoas por domicílio.
- Principais problemas:
• Poucas praças e áreas de lazer livres;
• Poluição visual e sonora;
• Conservação deficiente das áreas de proteção;
• Ocupações irregulares de áreas públicas
e de risco (loteamentos irregulares);
• Expansão da favela do Jacarezinho;
• Demanda reprimida de imóveis;
• Baixa captação do trabalhador;
• Falta de policiamento noturno e ostensivo;
• Falta de atividades culturais e esportivas;
• Narcotráfico/marginalidade;
• Pouca oferta de postos de saúde e ambulatórios;
• Deficiência no saneamento básico;
• Falta de abrigos para pontos de ônibus; e
• Falta de opções de lazer.
Delimitação
do território a ser analisado
A pesquisa ficou centrada
na região mais comercial do bairro (lojas, camelôs, shoppings,
entre outros), entre as ruas Honório e Dom Helder Câmara
(no eixo x) e Vasco da Gama e Cachambi (no eixo y).
O
bairro e suas curiosidades
•
G.R.E.S. Unidos do Cabral
A
escola de samba Unidos do Cabral foi fundada como Associação
Atlética Unidos do Cabral. Na verdade, era um time de futebol
que conquistou vários troféus.
Em 1961, passou a ser um bloco de sujos nas cores do time (preto e
branco). Os ensaios na rua Cachambi começavam com meia dúzia
de foliões e ia arrastando o povo.
No ano seguinte, mudou as cores para vermelho e branco e filiou-se
à Federação dos Blocos Carnavalescos, apresentando-se,
oficialmente, na Praça Onze, com o enredo “Bahia”,
em 1963, sob a presidência de Helio Soares, o popular “Helinho”.
O primeiro título, em 1967, veio com “Exaltação
à Imprensa” e o bicampeonato com “Paulistas e Emboabas”.
No ano de 1971, com o presidente eleito Jorge Cyriello, o Cabral passa
a contar com uma quadra coberta e própria. Pensando na comunidade
foi construída a creche “Xodozinho do Cabral”.
O Unidos do Cabral, em 1976, apresentou um de seus maiores desfiles.
Mais de 2.000 pessoas fizeram parte do enredo “Bahia Branca
de Menininha”.
Após uma série de reuniões, em 1997, fica resolvido
que o Unidos do Cabral se transforme em AAGRES e solicite filiação
a Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de
Janeiro. Cabral, com 46 anos de existência, é a única
agremiação carnavalesca, esportiva, recreativa e social
do bairro do Cachambi.
Em 1998, se apresenta, como escola de samba, com o enredo “A
visita do samba à pérola do Oriente: Hong Kong”,
conseguindo ascender ao Grupo E.
E, em 1999, ascende ao Grupo D com o enredo “Diana, a princesa
que encantou o mundo”.
Ficha
Técnica do G.R.E.S. Unidos do Cabral
Sede:
Rua Álvares Cabral, 140 – Cachambi
Fundação: 22/02/1953
Tels.: 021(XX) 2228-5725/9214-9583
Cores: Vermelho e branco
Presidente: Jorge Cyriello
Carnavalesco: Mazinho e Julio Nascimento
Barracão: Praça Marechal Hermes, 63 – Santo Cristo
Desenvolvimento
Comércio
O
comércio do bairro reflete a sua realidade econômica,
oscilando entre camelôs, feirinhas e shoppings. Mesmo no shopping,
podemos notar que as lojas, em seu interior, são voltadas para
os diversos públicos que habitam este local. No caso do Norte
Shopping, a chamada “parte nova” (construída recentemente,
mais ou menos há cinco anos atrás) apresenta lojas para
pessoas com maior poder aquisitivo, tais como: Elle et Lui, Osklen,
Oh,Boy!, Vitor Hugo, Sacada, Colcci, etc, percebendo-se o oposto na
“parte velha”, as lojas são voltadas para as pessoas
de menor poder aquisitivo, são as lojas mais populares: C&A,
Líder, Lojas Americanas, Renner, etc. Podemos concluir que
dentro do próprio shopping existe uma linha imaginária
que o divide entre as lojas ditas “de grife” e as lojas
“populares”.
Similaridades,
contrastes e design
•
Um paralelo entre o ambulante, a feirinha e as lojas do shopping
A
loja, a feirinha e o ambulante são formas de comércio
e podem ser voltados para a venda de alimentos, roupas ou bijuterias,
por exemplo.
A pesquisa foi concentrada nos “veículos” de venda
de acessórios. No ambulante, as bijuterias ficam dispostas
em uma tela de tecido, para facilitar o deslocamento, mas não
dispõe de uma boa visibilidade dos objetos em questão.
O design se mostra presente na configuração desse display
e na disposição dos produtos (lado a lado, do topo à
base). Os produtos são voltados para os pedestres que durante
seu percurso podem encontrar, no ambulante, algum objeto que apreciem
e que seja de baixo valor. Este tipo de comerciante não apresenta
uma identidade visual, para eles a diferenciação entre
os similares não é importante, o que importa é
vender.
Nas feirinhas, os objetos se apresentam em displays “abertos”,
apropriados para brincos, colares ou outro acessório. Os brincos
ficam presos em displays verticais um ao lado do outro. Já
os colares ficam num mini-cabideiro. Os clientes podem facilmente
pegar a mercadoria e experimentá-la. Os quiosques das feirinhas,
diferentemente dos ambulantes, apresentam uma identidade visual, porém
muito parecidas umas com as outras.
Numa loja de shopping, as bijuterias não ficam acessíveis
ao público, todas ficam dentro de pequenas vitrines nos balcões
e é necessário que a vendedora pegue o objeto para que
o cliente possa experimentá-lo. Isto denota a preocupação
com segurança. Apesar de ficarem “fora do alcance”
do consumidor, a exposição destes brincos e colares
na horizontal, dentro da vitrine, proporciona uma boa visibilidade
dos produtos. Uma loja de shopping tem o propósito de se destacar,
por isso a identidade visual é muito forte, o design fica presente
desde o letreiro até o interior da loja, seus produtos e displays.

Loja
de bijouterias da feirinha
|

Loja
de bijouterias do shopping
|
•
“A famosa rua dos móveis”
O
bairro do Cachambi também é muito conhecido pela sua
“famosa rua dos móveis”, que é a Rua Honório.
Nesta rua há uma seqüência de lojas moveleiras,
uma ao lado da outra, em ambas as calçadas, por uma grande
extensão. Apesar de ser uma rua pouco movimentada, no que tange
a pedestres, o comércio consegue se sustentar devido a tradição
transmitida por essas lojas. O público consumidor é
muito variado dentre os quais encontramos as pessoas que procuram
móveis baratos e as que estão em busca de qualidade
e confiam na tradição que estas possuem.
Apesar da competitividade ser muito grande, as lojas são todas
“iguais”, por vezes umas aparentam ser continuidade de
outras (por estarem ao lado), mas na realidade são lojas diferentes.
Algumas nem mesmo possuem uma faixa indicando seu nome.
A identidade visual, mesmo quando presente, não é um
elemento de diferenciação entre elas, porque esta não
se expande para o interior da loja, nos uniformes ou em seu layout.
O design só está presente na configuração
dos móveis.

Móveis
Gallos
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Irho
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Moniz
Móveis
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Quartzo Design
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Revendedora
de Móveis
|
• Residências:
as casas e prédios do Cachambi
O Cachambi é
um bairro extremamente residencial, é possível perceber
isso ao caminhar por suas ruas, algumas não possuem nem mesmo
bares ou ambulantes.
Os prédios, segundo o Censo 2003, se apresentam em maior número
do que as casas. A violência é uma das razões
para a maior implantação de prédios, já
que o índice de roubos é superior nas casas do que em
prédios e, também, por abrigarem um maior número
de pessoas (uma casa, normalmente abriga apenas uma família).
É um dos bairros da Região Administrativa do Méier
onde as pessoas buscam moradia com maior freqüência.
O design
do bairro
O design do bairro
é vernacular. A grande maioria do comércio no bairro
é regional, apresentando poucos comércios estaduais,
nacionais e internacionais. Como já citado, anteriormente,
é um bairro extremamente residencial.
As lojas apresentam seus letreiros, displays e mensagens de acordo
com o público a ser atingido, já que é um bairro
que engloba diversas classes sócio-econômicas
Lojas Regionais
Churrasquinho
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Lanchonete Casa
da Sogra
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Sacolão
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Hortifruti
(Antigo cinema do bairro)
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Pastelaria
1
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Pastelaria
2
|
Restaurante
Evandro's
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Casarão
60
|

Bazar
Elianita
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Veterinária
Shop Dog
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Vídeo
locadora Papa-Léguas
|

Fábrica
Rofel
|