| PUC-Rio / Departamento de Artes & Design Objeto Visual Análise Gráfica de Estampas de Camisetas
A partir do nosso interesse por design de estampas para camisetas com uma temática mais alternativa, buscamos algumas marcas de nosso interesse para analisá-las graficamente. Procuramos entender a linguagem utilizada pelos designers em cada estampa analisando elas individualmentes através da retórica visual. A História da Camiseta Assim como a calça jeans, a camiseta é uma peça de roupa indispensável na vida de quase todo mundo em qualquer lugar do planeta. E isso vale para pessoas de todas as idades, do bebê ao vovô. Sem falar do preço acessível, o que a torna ainda mais democrática até do que o próprio jeans. Mas de onde a camiseta veio, quando surgiu e como foi que ela se tornou assim tão popular? Bom, tudo começou com a Revolução Industrial, iniciada no século 18 e as máquinas inventadas para a produção de malhas. A industrialização têxtil no Brasil deu seus primeiros passos em meados do século 19, com a instalação de fábricas nos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com destaque para as de algodão. A relevância dessa fibra na indústria têxtil não foi alcançada à toa. É uma fibra nobre, que se combina com rara afinidade ao poliéster, permitindo a produção de tecidos de qualidade, resistentes ao amarrotamento. No entanto, a confecção de camisetas recomenda fios de puro algodão, deixando o Brasil em uma confortável posição em relação ao comércio exterior. Até os anos 50 a camiseta era usada apenas como roupa de baixo, para proteger o corpo da transpiração e das mudanças de temperatura. E foi só a partir dessa época, quando foi adotada pela juventude como símbolo de contestação, que ela ganhou o seu lugar no mundo. Nos anos 60, a camiseta era a porta-voz das novas mensagens que contestavam e ironizavam os valores da sociedade. Ainda artesanal, junto com o jeans e o tênis, ela se transformou no uniforme oficial dos jovens. Muito do seu sucesso se deve ao cinema de Hollywood
e suas estrelas, como Marlon Brando e James Dean, em filmes famosos
como Uma Rua Chamada Pecado e Juventude Transviada.
Se os atores mais desejados do mundo usavam, a moda estava lançada
e o sucesso garantido. Atualmente a camiseta é item fashion, feita para revelar um estilo, uma atitude. Se você é clássica, use uma branca com uma calça ou saia preta. Coloque um colar de pérolas e uma flor, a própria Chanel. Mas se a idéia é ser rebelde, use uma rasgada, furada, com as mangas cortadas, junte um jeans detonado e o estilo punk-rock está pronto. Mas o seu jeito é romântico? Que tal uma cor de rosa, customizada com laços de fita, acompanhando uma saia floral? Aliás, a palavra-chave atual para a camiseta básica de todo dia é customização, aquela interferência pessoal que deixa qualquer roupa com uma cara única. De acordo com a socióloga Sílvia Simas, em texto publicado no livro a História das camisetas de 1997, publicado pela Hering, o mercado brasileiro de camisetas chega a produzir 450 milhões de peças anualmente, gerando 400 mil empregos diretos. "Fazendo as contas, cada brasileiro teria no seu guarda-roupa, em média, quatro novas camisetas por ano. Uma proporção que muitos segmentos estão longe de alcançar", explica Sílvia Simas. Segundo a socióloga, trata-se de um mercado
que tem seu consumo distribuído igualmente entre homens e mulheres.
"As classes A e B respondem por 20% das vendas; a classe C por
30% e os 50% restantes são divididos pelas classes D e E",
aponta. Metodologia de Análise Primeiramente foi feito um estudo dos recursos da retórica visual que é utilizado na publicidade. Adaptando, utilizaremos esses elementos para analisar as estampas das camisetas usando uma metodologia criada por nós. O universo pesquisado corresponde às empresas B2-tshirts, Samambaia e Samba Club. A metodologia deste trabalho subordinou-se ao seu propósito de ilustrar o uso de alguns procedimentos retóricos pela sua exemplificação nas estampas de camisetas, quer no domínio textual quer iconográfico, estabelecendo-se para a retórica da imagem as mesmas categorias que para a do texto escrito. A Camiseta é pois um texto , visual, gráfico ou grafo-visual. A retórica é, no dizer de Aristóteles, a capacidade para descobrir o que é atractivo; ela parte pois de um inquérito, de uma investigação sobre os artifícios da articulação e ordenação do discurso (ideia e palavra) pelos quais os falantes, ou os agentes/utentes de outras linguagens, estruturam e reforçam as mensagens que emitem. Estuda as técnicas de ênfase e aperfeiçoamento da expressão, que sistematiza numa grelha de operações discursivas ( tropos e figuras ), actuantes na dispositio (escolha sintagmática macroestrutural dos signos) e na elocutio (procura dos efeitos que irão amplificar o poder do discurso), que se seguem à inventio inicial (selecção paradigmática dos signos da linguagem visual ou escrita). Para adaptação dos recursos retóricos à linguagem visual fez-se a seguinte translação: • semema ou unidade mínima
de significação passa a ser a forma, as cores, os
signos alfabéticos inseridos num ícone, etc., que
implicam vários sub-códigos, entre eles o cromático,
o mórfico, o gráfico (forma das letras) e o alfabético
(qualidade das letras ou dos grafemas). As figuras de linguagem que utilizamos para analisar as camisetas foram: Policonia: quando a repetição é de elementos todos diferentes entre si, trata-se de uma policonia ou acumulação, um recurso de uso difícil. Prosopopéia: a prosopopéia animiza objectos inanimados, humaniza os animais, e atribui comportamentos humanos a abstracções e idéias. Antilogia: uma imagem em contradição com o esperado, ainda que seja possível, constitui uma antilogia. Poliptóton: o poliptóton consiste na repetição de um mesmo elemento visual com ligeiras variantes. Antísteco: quando a substituição é de uma letra ou sílaba por outra dentro de uma palavra, obtendo-se um parónimo, temos o antísteco, que reporta em simultâneo dois sentidos. Parasitismo: usando palavras compostas de sons semelhantes mas que possuam significados distintos está-se no domínio um tanto estafado dos parónimos ou quase homónimos. Silepse: a silepse ocorre quando uma mesma palavra deve ser entendida em dois ou mais sentidos, presentes ambos no próprio anúncio. Estes podem ser próprios e figurados, ou todos figurados mas de campos semânticos diferentes. Metáfora: caracteriza-se
por uma analogia de fusão que frequentemente é conjugada
com outras figuras, aparecendo comummente associada à metonímia.
Para a distinção entre os 3 tipos de metáfora:
A é B (és um burro), B por A (Este camelo insultou-me)
e A de B (tens memória de elefante) - exemplos extraídos
de metáforas animais correntes. A metáfora visual
A de B substitui parte de uma imagem por outra ou parte de outra,
mantendo perfeitamente identificáveis no todo os dois elementos,
não os fundindo (A é B), nem confundindo (sínquise). Análise Gráfica de Estampas de Camisetas Para a análise selecionaremos dez estampas de camisetas dentro desse universo, apontando as figuras de linguagem vistas na metodologia.
Na estampa vários elementos gráficos diferentes entre si, não possuem uma organização definida formando uma policonia
Um exemplo de prosopopéia é esse desenho da camiseta humanizando um animal conhecido do público, o macaco Tião, transformando também a figura dele num objeto de protesto.
A figura de linguagem encontrada nessa estampa é a antilogia porque a camiseta se utiliza de diversos personagens e os coloca como um time de futebol, se contradizendo com o que cada personagem representa.
Nessa estampa encontramos o poliptóton, por causa da repetição dos alfinetes e dos papéis com o resultado do jogo do bicho tendo pouca variante.
Nessa camiseta o bonsai é transformado em um ibonsai uma metáfora utilizando-se do ipod que é uma nova tecnologia com essa técnica milenar.
Nessa estampa a figura encontrada é a silpese pois o desenho pode ser entendido de dois modos um como se a pessoa fosse um número e a outra com uma conotação sexual.
Usando a palavra NPA (National Pimp Association) nessa estampa o autor utilizou-se do parasitismo, pois existe a palavra NBA (National Basketball Association) conhecida mundialmente. Assim foi explorado o som semelhante para dar um outro sentido a esse desenho.
Nessa estampa foi feita uma paródia da marca Nokia de telefone celular. Isso se deve pelo uso do parasitismo que usou a palavra “Vodka” que possui um som semelhante e também do uso da silepse no slogan da marca “connecting people” que possui mais de um sentido.
Nessas duas camisetas temos o uso do antísteco através da substituição de algumas letras da palavra Mastercard e Goodyear levando a um duplo sentido. Conclusão Ao utilizar um método de análise percebemos que esse estudo se tornou muito mais fácil. A maioria das estampas pesquisadas poderia ser analisada nessa metodologia feita por nós, pois o recurso da retórica visual é muito amplo e praticamente todas as estampas se enquadram em uma figura de imagem. Importante foi ver como as estampas podem ter um caráter de protesto, sem perder a irreverência. Também é importante frisar que quem usa camisetas com esses estilos de estampas quer que ocorra um choque das pessoas ao verem às camisetas. Como essa área é de nosso interesse essa análise acabou nos ajudando a pensar e analisar para podermos no futuro criar novas estampas para camisetas, pois percebemos que com o uso do design podemos transmitir inúmeras mensagens utilizando a retórica da imagem. Bibliografia http://www.radames.manosso.nom.br/ (em 10/06/2006)
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||