1- Visão Geral
§
A imagem como signo
§
Convenção e
naturalidade das imagens
§
Relação percepção da
imagem/linguagem
§
Existência de uma
“gramática” semiótica da imagem
Algumas ciências da imagem:
Huggins & Entwistle –
ciência icônica - tentativa de fundamentação na relação com a ciência da arte.
Mitchell – introdução do
conceito de iconologia = ciência do discurso em imagens e sobre imagens.
(não considerou que o
conceito na ciência da arte é outro – iconologia = estudo do tratamento dos
assuntos em diferentes artistas e épocas).
Boulding – ciência eiconica
– sociologia transdisciplinar do conhecimento.
Toda reflexão sobre a
relação sistemas de signos linguagem / imagem Þ
Þ semiótica da imagem;
linguagem ou gramática da imagem.
O assunto tem sido publicado
em livros, informativos, revistas, anais de congressos, coletâneas, etc.
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Saussure e Hjelmslev |
Hjelmslev |
Escola de Praga Semiótica funcionalista |
Peirce Categorias da semiótica |
M.A. K Halliday Sócio-semiótica funcional |
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Barthes |
Semiótica da imagem |
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Lindekens |
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Fotografia |
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Veltrusky |
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Semiótica da imagem |
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Deledalle |
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Análise da imagem |
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Kress & van Leuween |
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Imagem semiótica |
Sonesson:
- contribuições
crítico-psicanalíticas para o tema;
- diferencia 3 modelos
representativos na semiótica da imagem:
1- retórica geral estrutural – grupo m
2- o especificamente semiótico na análise das imagens –
Traité du Signe Visuel – trabalhos de Thürllemann e Floch baseados em Greimas,
relativos à pintura e à propaganda.
3- gramática semiótica da imagem – Fernande
Saint-Martin.
2-
A imagem como signo
Imagem
entre representação e imaginação.
Conceito
de imagem:
Imagem
direta perceptível – ou até mesmo existente.
Imagem
mental simples – na ausência de estímulos visuais pode ser evocada.
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Gregos |
Ocidente
atual |
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eikon |
Tipologia da imagem |
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Todo tipo de imagem Imagens naturais – imagens artificiais Imagem verbal – imagem mental Imagem – modelo Imagem – objeto de referência Ser - parecer |
Imagens gráficas – desenhadas,
pintadas, escultura Imagens óticas – espelhos, projeções Imagens perceptíveis – dados de idéias, fenômenos Imagens mentais – sonhos, lembranças, idéias, fantasias Imagens verbais – metáforas, descrições |
Dualidade
semântica: percepção X
imaginação
Representação visual
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Imaginação mental
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-
idolatria mágico-religiosa –
mágica = raiz lexical de ‘imagem’ = ícone milagroso -
ceticismo racional da imagem
– início em Platão = imagens percebidas pelos sentidos; imagens aparentes e
ilusórias. -
iconoclasmo – proibição cultural das imagens |
-
Platão – idéias ou modelos -
Freud – sonhos -
Essência – das
coisas do pensamento da aproximação de Deus |
Icônico – que representa
claramente uma idéia, sem artifício.
Características clássicas da
imagem: Semelhança
(similaridade)
Imitação
(mimesis)
Imagens como semelhança de
signos retratados, pertencem à classe dos ícones.
Peirce – o ícone compreende
também formas não visuais; acústicas; táteis; olfativas ou formas conceituais
de semelhança sígnica.
Polissemia – imagens óticas,
acústicas e mentais – extensão da definição do conceito de imagem.
Há uma aproximação entre a
extensão do conceito de imagem (polissemia) e a extensão do ícone segundo
Peirce.
Semelhança entre signo da
imagem e objeto de referência – uma das causas da polissemia do conceito de
imagem.
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Significante visual (representamen) |
Objeto de referência ausente |
Significado (interpretante) ou
idéia de objeto |
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Imagem = desenho, fotografia e
quadro |
Imagem = imagem original – da
qual foi feita uma cópia, cópia tirada de uma fotografia |
Imagem mental = idéia ou
imaginação |
Interpretação do signo como
processo circular da semiose infinita.
Conceito de signo plástico –
permite a análise de imagens que não representam coisa alguma, mas também de
imagens icônicas.
Ex.: Com relação a uma
mancha azul
Isto é azul (signo plástico)
Isto representa a cor azul (signo icônico)
Signo
plástico
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Signo completo com expressão e
conteúdo próprios |
Triângulo / círculo |
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Conteúdo resultado de cada
significado que o observador une às qualidades como forma, cor e textura |
Duro / mole |
Signos plásticos são
primariamente de natureza indexical e simbólica.
3 – Naturalidade e
convencionalidade das imagens
Iconicidade – questionamento
acerca da naturalidade ou convencionalidade das imagens.
Teoria da percepção
ecológica – defensor de uma variante da teoria da naturalidade icônica das
imagens.
Imagens se assemelham a seus
objetos de referência – atuam como signos icônicos.
Relação de semelhança –
dificuldades de precisão lógica Þ definição ótico-geométrica da semelhança da imagem
com a realidade (fotografia).
É questionável se desenhos podem ser tratados da mesma forma.
Desloca
a relação de semelhança do plano físico-ótico para o cognitivo.
Teoria
da percepção ecológica – a visão dos objetos é determinada pela percepção de invariantes,
unidades de percepção elementares, que permanecem constantes quando o objeto ou
o observador muda de posição.
invariantes
– descontinuidades entre superfícies óticas homogêneas, que se manifestam como
limites de figuras contra um fundo.
Ex.:
figura se move sobre fundo fixo – os contornos que separam a figura do fundo
permanecem constantes.
Os
contornos invariantes são esboçados pelo desenhista e percebidos como algo
análogo Þ a relação de semelhança
não se encontra mais entre imagem e objeto, mas entre duas formas de percepção
do receptor.
“uma imagem é uma superfície
de tal modo tratada que um arranjo ótico delimitado a um ponto de observação se
torna disponível, contendo o mesmo tipo de informação que é encontrado nos
arranjos óticos ambientais de um ambiente comum.”
Teoria
lingüística da imagem:
“Para uma imagem representar
um objeto, ela deve ser um símbolo, substituí-lo e a ele se relacionar; nenhum
grau de semelhança é suficiente para estabelecer a relação de referência
necessária. (...) Quase tudo pode representar todo o resto. Uma imagem que representa um objeto o denota
(...). Denotação é o núcleo da
representação (...). A relação entre
uma imagem e o que ela representa é uma relação próxima constituída pelo
encontro de um predicado e um fato.”
Para analisar as estruturas
de código da imagem e da linguagem, Goodman propõe cinco critérios que
considera existentes num tipo ótimo de sistema de signo, chamado sistema de
notação:
Goodman define então:
Linguagem – sistema que
cumpre os critérios sintáticos 1 e 2
Imagens – não cumprem nenhum
desses 5 critérios
Percepção de representação
visual não se baseia somente em uma capacidade inata do homem.
Ex.: a visão de espaços representados em perspectiva deve ser primeiramente aprendida.
Salientou o papel da
natureza e da convenção na percepção da imagem.
Sobre fotografia:
-
Foto não é réplica simples da
realidade, mas sim uma transformação visual que deve ser novamente interpretada
pelo observador;
-
Fotografias não são signos
“prontos” arbitrários.
Gombrich conclui:
O aprendizado da leitura de
uma fotografia parece ser completamente diferente daquele relativo a um sistema
de código arbitrário. (...) O conseqüente contraste entre natureza e convenção
é falso. (a idéia da habilidade
contínua)
Nossa capacidade de
reconhecer um objeto parece estar ligada à sua relevância biológica, o que faz
com que nos objetos que nos são importantes do ponto de vista biológico, baste
uma vaga semelhança para provocar essa reação.
4 – A dependência
lingüística e a autonomia cognitiva da imagem
Será que as imagens podem
ter significado diretamente como signos visuais ou o significado só se origina
pela mediação da linguagem?
Era do logocentrismo –
dependência lingüística da imagem.
Teoria cognitiva – autonomia
semiótica da semiose visual.
2 argumentos a favor da
dependência lingüística:
Barthes |
Lindekens |
Thürlemann
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Heteronímia semiótica da imagem |
Autonomia semiótica |
|
|
O entendimento de uma imagem é
conduzido através da mediação da linguagem: imagens podem significar mas isso
nunca acontece de forma autônoma. Cada
sistema semiológico tem sua própria mistura lingüística. |
Crítica à concepção de
heteronímia – textos comentadores não provam a prioridade do verbal sobre o
visual. |
O fato de um texto imagético
individual ser precedido por um texto lingüístico de conteúdo comparável, não
é um argumento contrário à autonomia discursiva do texto imagético |
Logocentrismo
imagético-semiótico:
-
argumento na freqüência dos
comentários imagéticos verbais;
-
semiótica de imagem que deriva
suas estruturas da metalinguagem verbal, fundamentando a existência de uma
gramática de imagens baseada na gramática da língua.
Imagens não apresentam uma
metalinguagem verbal própria. Pode
existir uma metaimagem, como a imagem de uma imagem, mas não como uma teoria
analítica da imagem.
Não existe uma metaimagem
que possibilite a análise ou comentário teórico de uma imagem, por isso a
linguagem é sempre um instrumento necessário à análise da imagem semiótica
(Benveniste 1969)
Langer:
|
linguagem |
imagens |
simbolismo sem palavras |
|
-
é discursiva -
apresenta capacidade de generalização -
possui unidades de significado permanentes ligadas a
outras unidades -
contém equivalências fixas (tornam definições e traduções
possíveis) -
tem conotações de caráter geral: atos não verbais são necessários para atribuir denotações
específicas a suas expressões (apontar, olhar, modificar a voz) |
-
representam holisticamente -
referem-se primariamente
a singularidades |
-
não é discursivo nem traduzível -
não permite nenhuma definição dentro do seu próprio sistema -
não é capaz de transmitir o geral diretamente -
significados são entendidos um após o outro e então
resumidos em um todo (processo conhecido como discurso) -
significados dos elementos simbólicos que formam um
símbolo maior e articulado são entendidos através do significado do todo, de
suas relações na estrutura holística -
apresentação simultânea e integral = simbolismo
apresentativo |
Uma mídia não é traduzível
pela outra sem perda.
Simbolismo apresentativo ¹ Simbolismo
discursivo (linguagem real)
Diferenças prototípicas
entre a palavra e a imagem:
-
imagens atuam mais fortemente
de maneira afetivo-relacional
-
linguagem apresenta mais
fortemente efeitos cognitivo-conceituais
A eficácia emocional das
imagens cresce com o grau de sua iconicidade (Reimund 1993)
Gestaltismo – 1º modelo para
interpretação da imagem como signo autônomo.
Formas visuais são unidades
de percepção independentes da linguagem.
Campo visual:
-
figuras percebidas como
formas, em sua totalidade
-
totalidades – mais do que o
somatório de suas partes
-
percepção – processo
construtivo ¹ reprodutivo
-
processo determinado pelas leis
da forma (Metzger 1975):
1. figura se distingue de sua base, como forma fechada
2. na percepção tendência de interpretarmos a forma
aberta antes da fechada ou de preencher a interrupção (lei da continuidade)
3. princípio da menor distância – elementos vistos como
grupos ou figuras (lei da proximidade)
4. elementos iguais são interpretados mais facilmente
(lei da igualdade)
5. simetria fortalece a impressão da qualidade formal
Formas, como invariantes do
campo visual, podem ser interpretadas como unidades semióticas autônomas.
Esse aspecto representa a união entre a interpretação da psicologia da forma e
a interpretação estrutural-semiótica.
Arheim:
“Nenhum padrão visual existe
somente em si mesmo. Ele sempre
representa algo além de sua própria existência individual – o que equivale a
dizer que toda forma é a forma de algum conteúdo.”
Klaus & Buhr:
Percepção da forma = Construção de variantes visuais num processo de reconhecimento das formas sígnicas;
Processo de coordenação entre o percebido e as formas já internalizadas;
Processo
semiótico – no sentido da relação token-type, de acordo com Peirce
Zimmer:
Resultados
da psicologia cognitiva Þ
campo visual dividido em unidades semióticas (marcas da imagem) =
“protótipos visuais” que representam conceitualmente “coisas descritíveis”.
Unidades
de imagem se constituem de componentes visuais menores – pictogenes -
correspondências visuais para os fonemas linguísticos (entretanto não postula
uma dependência entre linguagem e imagem, pelo menos no plano da percepção).
Biederman:
Aprofundou
a busca por unidades mínimas de percepção da imagem.
O
reconhecimento visual dos objetos depende de um repertório de 36 unidades
mínimas visuais = componentes volumétricos = geones.
Através de 5 traços distintivos (curvatura, colinearidade, simetria, paralelismo, co-determinação) pode-se descrever completamente os geones.
Mace
(1986) resume as idéias de Gibson da seguinte forma:
“A
percepção do ambiente é direta e não mediada por imagens ou representações;
nenhuma forma de memória, schemata ou qualquer outra estrutura cognitiva
contribui para a percepção; a informação está ´no mundo´; a percepção é uma
questão de se extrair invariantes a partir do arranjo ótico; perceber se
assemelha mais à ressonância do que ao ´processamento´.”
Percepção = processo não semiótico, pois a semiose segundo Peirce não é uma percepção direta, mas sim indireta do mundo.
Ao mesmo tempo, Gibson defende:
-
propriedades do ambiente
diretamente percebido incluem propriedades significantes, refletindo os
interesses e utilidades de um animal.
-
Percepção não é uma mera cópia
“ressonante”, mas sim uma seleção determinada.
-
O meio ambiente percebido é
interpretado em categorias daquilo que é significativo ou não do ponto de vista
da história evolutiva.
A
autonomia da imagem na teoria da informação e na semiótica geral
Modelo
da teoria da informação – formas visuais são supersignos, complexos holísticos
que podem ser compostos de subsignos elementares.
Moles:
-
Percepção da imagem = processo
de integração de subsignos e supersignos no campo da imagem holística.
-
Proposta de hierarquia de
planos de percepção compreendendo:
1. impulsos visuais mínimos no limiar diferencial da
percepção ótica
2. morfemas de percepção geométrica
3. imagens parciais de objetos significantes
4. ‘sintagmas’ icônicos
5. discursos icônicos
6. seqüência de imagens
Bense
postula:
-
“numa semiótica visual como
essência dos problemas de uma linguagem visual” – todo objeto de percepção é
constituído por uma unidade de cor e forma.
-
As unidades de percepção visual
(perceptemas) são compostas por elementos de cor e forma, os cronemas e
formemas:
Cronemas
– todas as cores diferenciáveis
Formemas
– elementos geográfico-topológicos – ponto, linhas, áreas ou corpos
Formemas
e cronemas se unem em um signo visual.
Proposta
de uma linguagem da imagem.
5 - Existe
uma gramática da imagem?
A metáfora “a linguagem da imagem” – analogias nos níveis de estruturação da língua e da imagem.
A
gramática da imagem – a questão que ocupou a semiótica da imagem, desde o
início da semiologia estruturalista.
Postulado
de Saussure:
Transferência
do modelo da língua para outros objetos de pesquisa.
Benveniste:
-
Critérios da suposta
existência de uma gramática da imagem análoga à língua.
-
Um sistema constituído
semiologicamente e análogo à linguagem, deve mostrar, necessariamente, as
seguintes características estruturais:
1. repertório de signos limitado.
2. regras de ordenação para as unidades mínimas
distintivas do signo, chamadas figuras.
3. figuras existem independentemente do tipo e da
quantidade de discursos que o sistema semiótico pode gerar.
Já
que imagens não preenchem estes requisitos, não podem valer como um sistema
semiótico.
Apesar das objeções, semioticistas da imagem continuaram sua busca por uma gramática da imagem – analogias entre dois planos de articulação – a dupla articulação da linguagem.
-
primeiro plano de articulação
de imagem = unidades portadoras de significado
-
segundo plano de articulação
de imagem = imagem dividida em unidades com função diferenciadora de
significados, sem significação própria como a linguagem o é em fonemas.
|
Hjelmslev Lindekens,Carter |
Carter |
Cossette |
Bense |
Zimmer |
Biedermann |
|
figurae (fonemas linguísticos) |
invariantes da forma |
grafemas |
cronemas formemas |
pictogenes |
geones |
Influência
do sistema de variáveis visuais de Bertin no contexto:
|
Bertin |
Cossette e Saint -Martin |
Thürlemann |
Eco |
||
|
Imagens se compõem de 6 unidades elementares portadoras de significado |
Unidades do 2º plano de articulação Coloremas |
2 unidades categorias categorias eidéticas cromáticas |
Figurae |
||
|
Tamanho Grau de
claridade Padrão Cor Direção Forma |
|
Cor Textura Tamanho Orientação Contorno |
Contornos Cantos Côncavo Convexo Simetria Compacticidade Direção Dimensão |
Tonalidade Saturação |
Fundamento Relações Contrastes de luz Unidades elementares geométricas |
Crítica de Eco:
Unidades
não podem fazer parte de um código semiótico – pertencem a um código de
percepção pré-semiótico.
Imagens não são segmentáveis em figurae – apesar de “se poder isolar, no contínuo icônico, unidades discretas pertinentes, esses elementos não correspondem a fonemas lingüísticos, uma vez que eles não têm qualquer valor de posição ou oposição”.
O primeiro plano de articulação da imagem
|
Eco - 1968 |
Lindekens
- 1971 |
Porcher - 1976 |
Cossette - 1983 |
Thürlemann - 1990 |
|
signo sema |
supermorfemas
visuais complexos |
método
empírico |
iconemas |
elementos
(unidades de 2 plano) |
|
imagem
já é sempre sema |
exame
do diferencial semântico |
testes
visuais de comutação |
relações sintagmáticas e paradigmáticas |
princípios de oposição |
Eco (1968):
- Signo – unidade mínima portadora de imagem (analogia ao morfema lingüístico ou palavra).
- Sema – declaração icônica complexa e análoga à frase.
Uma imagem nunca constitui um signo, mas sim sempre já é um sema.
Lindekens (1971):
- Questionamento das unidades de significação mínimas da imagem (exame do diferencial semântico).
- Unidades mínimas Þ supermorfemas visuais complexos.
Porcher (1976):
- Propõe um método empírico para determinação de unidades lexicais da imagem.
- Testes visuais de comutação.
Cossette (1983):
- Unidades mínimas = iconemas.
- Dedução do valor sistemático dos iconemas de suas relações sintagmáticas e paradigmáticas.
Thürlemann (1990):
- Unidades do segundo plano = elementos.
- Determinação de elementos de acordo com princípios de oposição entre os contrastes de expressão do campo da cor e da forma.
- Figura X Fundo – divisão diferenciada de uma imagem em um número limitado de figuras e de fundo.
A sintaxe dos constituintes da
imagem
Vários autores postularam homologias entre a imagem e a linguagem no plano da frase (ou das proposições) e na sua divisão entre sujeitos (argumentos) e predicados.
Zems (1967); Marin (1971) e Paris (1975):
Homologias existem desde que formas, linhas e cores de uma imagem exprimam qualidades dos objetos representados.
Cossette (1983):
Divisão de imagem em duas unidades fundamentais:
- Actantes – realidade sobre a qual a imagem declara algo.
- Predicados – a declaração sobre os actantes.
Schefer (1969):
Estrutura predicado-argumento nas relações figura-fundo da imagem.
Homologias entre as estruturas de proposições e de imagens são tema do debate sobre a questão se as imagens são, como as declarações, afirmações certas ou erradas.
Saint-Martin (1987):
Sintaxe visual independente de raciocínio lógico-lingüístico.
Sintaxe da imagem constituída por regras abstratas das relações de caráter tipológico, morfológico, cromático, entre outras, numa imagem.
A gramática da imagem como
gramática do texto
- Procedimento bottom-up – totalidade da imagem resulta de unidades mínimas e de suas combinações (na visão de alguns semioticistas, teoria fadada ao fracasso).
- Postulam o procedimento top-down – o valor funcional dos elementos é deduzido a partir da totalidade da imagem.
- A gramática da imagem é sempre uma gramática textual, e não um código geral, válido em qualquer situação, como a linguagem.
Koch (1971):
Define planos de articulação da imagem, que vão, analogamente à linguagem, de unidades mínimas distintivas até o plano do texto, mas que devem ser, por outro lado, definíveis em seu valor somente no quadro de uma única imagem.
Eco (1976) e Calabrese (1980):
Postulam uma gramática textual da semiótica da imagem.
Eco argumenta que as unidades de articulação da imagem são somente definíveis no contexto dessa mesma imagem, de tal forma que as imagens não sejam articuladas através de um código, mas que cada texto icônico seja um ato de produção de código.
Sonesson (1989):
Em consonância com Eco e Calabrese, Sonesson faz observações sobre a relatividade textual e estilística com referência à questão sobre se os elementos imagéticos funcionam como traços distintivos ou como unidades portadoras de significados.