A apresentação gráfica da Linguagem pictórica
Este trabalho pretende utilizar-se dos conceitos
levantados por Michael Twyman em seus dois ensaios sobre a Visual Graphic
Language e identificá-los em nossos respectivos objetos de estudo – as capas de
disco brasileiras a partir do movimento tropicalista do fim dos anos 1960 (figura 1) e a
revista ilustrada A Maçã editada no Rio de Janeiro na década de 1920 (figura 2).
Twyman criou o termo elemento linguagem para definir a relação entre
conteúdo da informação e sua apresentação visual – levando em conta o usuário e
as circunstâncias de uso desta mensagem – ele chama atenção para a importância
de se valorizar a forma de apresentação para destacar o conteúdo do texto. O
autor nos coloca a dificuldade de incluir o estudo da linguagem gráfica dentro
de outras categorias do estudo da linguagem. Do ponto de vista dos lingüistas,
a linguagem é dividida entre escrita e falada, mas se olharmos pelo ponto de
vista do designer gráfico, é o que propõe Twyman, ela pode ser dividida em
verbal e pictórica.
São apresentados três modelos para esclarecer as relações entre linguagem falada e a linguagem gráfica. O primeiro modelo é como o autor chegou ao VGL (Verbal Graphic Language). Este modelo é baseado mais no receptor do que no transmissor da mensagem. O esquema divide a linguagem em canais - o auditivo e o visual, sendo que o canal visual se subdivide em gráfico e não-gráfico e, por conseguinte, o gráfico se desdobra em Verbal e Pictórico, que falam por si mesmo, e o Esquemático, que é a imagem/figura que não é verbal nem pictórica. O segundo modelo identifica as principais opções para quem quiser usar a linguagem gráfica. É criada uma matriz na qual ele encaixa diferentes configurações para organizar a linguagem gráfica. Com os métodos de configuração na horizontal e modelos de simbolização na vertical. E, por último, as características intrínsecas e extrínsecas da linguagem verbal. As características intrínsecas são os aspectos inerentes a tipografia, por exemplo: bold, ligth, caixa alta e baixa, itálico, versalete, o estilo da forma. As características extrínsecas são os aspectos que podem ser aplicados a eles ou a um grupo, taiscomo: espacejamento entre letras, entrelinha, cor, alinhamento.
O autor propõe o estudo do VGL da mesma forma dos estudos da lingüística. “Só quando soubermos quais são as características da linguagem gráfica verbal, poderemos projetar com mais eficácia” e nos mostra, também, exemplos de como a tecnologia tem influência na linguagem gráfica. O autor faz algumas previsões, tais que num futuro próximo uma pessoa, mesmo sem ser especializada em artes gráficas, terá o mesmo controle sobre sua linguagem gráfica como tem em sua linguagem falada. Essas questões levam o autor a questionar a necessidade de uma educação gráfica para as crianças, pois com os novíssimos desenvolvimentos tecnológicos, essas crianças serão os designers da linguagem gráfica do futuro.
Bibliografia:
TWYMAN, Michael. Graphical presentation of pictorial language.