PUC/RJ
Departamento de Artes e Design
Programa de Pós-Graduação em Design
ART 2204 Tópicos Especiais em Design IV: O lugar do Narrativo na mídia visual: temporalidade 2000.2
Prof. Dr. Luiz Antonio L. Coelho
Alunos: Aline Haluch e Jorge Luís P. Rodirgues

A apresentação gráfica da Linguagem pictórica

Este trabalho pretende utilizar-se dos conceitos levantados por Michael Twyman em seus dois ensaios sobre a Visual Graphic Language e identificá-los em nossos respectivos objetos de estudo – as capas de disco brasileiras a partir do movimento tropicalista do fim dos anos 1960 (figura 1) e a revista ilustrada A Maçã editada no Rio de Janeiro na década de 1920 (figura 2). Twyman criou o termo elemento linguagem para definir a relação entre conteúdo da informação e sua apresentação visual – levando em conta o usuário e as circunstâncias de uso desta mensagem – ele chama atenção para a importância de se valorizar a forma de apresentação para destacar o conteúdo do texto. O autor nos coloca a dificuldade de incluir o estudo da linguagem gráfica dentro de outras categorias do estudo da linguagem. Do ponto de vista dos lingüistas, a linguagem é dividida entre escrita e falada, mas se olharmos pelo ponto de vista do designer gráfico, é o que propõe Twyman, ela pode ser dividida em verbal e pictórica.

São apresentados três modelos para esclarecer as relações entre linguagem falada e a linguagem gráfica. O primeiro modelo é como o autor chegou ao VGL (Verbal Graphic Language). Este modelo é baseado mais no receptor do que no transmissor da mensagem. O esquema divide a linguagem em canais - o auditivo e o visual, sendo que o canal visual se subdivide em gráfico e não-gráfico e, por conseguinte, o gráfico se desdobra em Verbal e Pictórico, que falam por si mesmo, e o Esquemático, que é a imagem/figura que não é verbal nem pictórica. O segundo modelo identifica as principais opções para quem quiser usar a linguagem gráfica. É criada uma matriz na qual ele encaixa diferentes configurações para organizar a linguagem gráfica. Com os métodos de configuração na horizontal e modelos de simbolização na vertical. E, por último, as características intrínsecas e extrínsecas da linguagem verbal. As características intrínsecas são os aspectos inerentes a tipografia, por exemplo: bold, ligth, caixa alta e baixa, itálico, versalete, o estilo da forma. As características extrínsecas são os aspectos que podem ser aplicados a eles ou a um grupo, taiscomo: espacejamento entre letras, entrelinha, cor, alinhamento.

O autor propõe o estudo do VGL da mesma forma dos estudos da lingüística. “Só quando soubermos quais são as características da linguagem gráfica verbal, poderemos projetar com mais eficácia” e nos mostra, também, exemplos de como a tecnologia tem influência na linguagem gráfica. O autor faz algumas previsões, tais que num futuro próximo uma pessoa, mesmo sem ser especializada em artes gráficas, terá o mesmo controle sobre sua linguagem gráfica como tem em sua linguagem falada. Essas questões levam o autor a questionar a necessidade de uma educação gráfica para as crianças, pois com os novíssimos desenvolvimentos tecnológicos, essas crianças serão os designers da linguagem gráfica do futuro.

Bibliografia:

TWYMAN, Michael. Graphical presentation of pictorial language.