O desenvolvimento da ergonomia aponta para novas áreas de atuação:
Macroergonomia
À partir de HENDRICK (1987), cabe explicitar, o conceito de macroergonomia. Segundo o
autor, a ergonomia está na sua terceira geração. A primeira geração - engenharia humana -
concentrou-se no projeto de trabalhos específicos, interfaces homem-máquinas, incluindo con-
troles, painéis, arranjo do espaço e ambientes de trabalho.
A segunda geração - ergonomia cognitiva - se inicia com a ênfase na natureza cognitiva do tra-
balho. Tal ocorreu em função
das inovações tecnológicas e, em particular, do desenvolvimento
de sistemas automáticos e informatizados. O trabalho com computadores implica o processa-
mento de informações e exige o projeto de programas adequados.
A terceira geração - macroergonomia - resulta do aumento progressivo da automação de siste-
mas em fábricas e escritórios, do surgimento da robótica. Começou-se a perceber que é possível
fazer um trabalho em microergonomia, projetando os componentes de um sistema, mas falhar no
que diz respeito ao sistema como um todo, por desconhecimento do nível macroergonômico. A
maioria dos projetos das duas primeiras gerações de ergonomia enfocou trabalhos e interfaces
homem-máquina específicos.
A emergente terceira geração da ergonomia privilegia a macroergonomia ou 'organização global
ao nível de máquina/sistema', e se concentra no desenvolvimento e na aplicação da 'organização da
tecnologia máquina/interface'. A macroergonomia parte de uma avaliação da empresa de cima para
baixo e usa como ferramenta a análise sociotécnica e o enfoque de sistemas.
A macroergonomia considera o modo como as organizações são projetadas e gerenciadas no que se
refere a tecnologias (BROWN, 1990). Também relaciona-se com quatro níveis de análises: indivi-
dual, design do trabalho/estação de trabalho, organizacional e ambiental (IMADA, 1987).
Ergonomia Participativa
Uma vez que se identifiquem as necessidades organizacionais e se determinem parâmetros para o
projeto organizacional num nível macroergonômico, podem-se empregar vários métodos. Um en-
foque que propicia a vantagem de considerar os problemas e associá-los às mudanças tecnológicas é
a ergonomia participativa que implica a contribuição de muitos níveis da organização para identificar,
analisar e resolver problemas ergonômicos (IMADA, 1988).
O emprego das práticas participativas é muito mais do que auscultar as idéias antes de tomar decisões.
Envolve desenvolver a capacidade das pessoas para participar na mudança do desempenho do seu tra-
balho, tanto quanto nos resultados do trabalho do grupo e da organização, assim como nas tentativas de
melhorar a performance da organização. Existem aspectos humanísticos e técnicos, no papel do gerente
participativo (BROWN, 1991).
Ergonomia e Trabalho com Terminais de Vídeo
A informática constitui atualmente um dos principais objetos da Ergonomia. Trabalham-se os aspectos
físicos dos postos de trabalho - arranjo, conformação, dimensões, cadeiras e mesas -; do ambiente -
arquitetura, circulação, iluminação, ruído, temperatura -; e dos terminais informatizados- tela, teclado,
mouses, dispositivos de entrada e de saída. Pesquisam-se os aspectos organizacionais - circuito de comu-
nicações, parcelamento das tarefas, formação e qualificação do pessoal.
Estudam-se os aspectos cognitivos
do diálogo homem-computador.
A interação homem-computador compreende a definição da utilidade, da usabilidade, da amigabilidade,
da lógica do sistema,
do encadeamento das informações, da navegação através de menus e telas, das metá-
foras, dos códigos e modos de apresentação das informações. Tais estudos ergonômicos aplicam-se ao pro-
jeto de ajudas inteligentes ao operador - sistemas assistidos por computador, "knowledge based systems" e
"expert systems".
Ergonomia de Software
Mais e mais pessoas usam e dependem da tecnologia informatizada. Um grande problema, entretanto, é
que a maioria desses indivíduos, uma vez ou outra, experienciaram frustrações e dificuldades ao tentar usar
estes sistemas.
As incompatibilidades da interação homem-computador, que propiciam erros durante a operação dos sis-
temas e implicam
dificuldades para o usuário, devem-se ao desconhecimento, por parte do projetista do
"software" da tarefa, do modo operatório e da estratégia de resolução de problemas do componente humano
do sistema homem-máquina (BENYON & DAVIES, 1990).
WISNER (1987) define a ergonomia de software como um caso particular de adaptação do trabalho ao ho-
mem - "a adaptação do sistema informatizado à inteligência humana".
A ergonomia do software trata dos aspectos relativos aos programas e à programação e busca melhorar a
capacidade de
utilização - usabilidade ("usability") - dos "softs" por usuários de diferentes características.
Podem-se, então, distinguir quatro níveis de intervenção ergonômica:
Movimentação Manual de Materiais
Este tema tem ocupado médicos, engenheiros e psicólogos em todo mundo em face dos enormes gastos com
absenteísmo, afastamentos e reabilitação. Durante muito tempo enfatizou-se a maneira correta de movimentar
cargas. Os psicólogos e engenheiros de segurança replicaram programas de treinamento. Atualmente, estudos
longitudinais mostram a ineficácia desta prática. Outro momento foi o da busca de limites de peso com destaque
para os trabalhos do NIOSH e suas equações.
A ergonomia apresenta-se quando se ressalta a importância do estudo das atividades da tarefa para que se possí-
vel selecionar e treinar corretamente e para que se definam a partir de critérios de frequência, posição da carga
e posturas
assumidas, os limites a serem aplicados. A prioridade é a mudança das condições de trabalho.
Cabe mencionar os métodos OVAKO, NIOSH, INRS e os trabalhos desenvolvidos em Michigan e Milão.
Lesões por Esforços Repetitivos e Doenças Músculoesqueléticas
O trabalho com teclados, com ferramentas mal projetadas, em linhas de montagem e em terminais, tem produ-
zido lesões e estudos que buscam nexos causais, diagnósticos seguros e soluções. A ergonomia, a partir da aná-
lise das atividades da tarefa, das posturas assumidas, da movimentação de braços, mãos e pernas propõe novas
estações de trabalho, ferramentas e formas de organizar o trabalho.
Idosos
Este um tema que preocupa médicos e psicólogos em face do envelhecimento das populações. Adaptações dos
espaços
arquiteturais, das habitações, dos meios de transporte, dos equipamentos públicos e domésticos, compu-
tadores, programas são objeto de trabalho de ergonomistas. Esta é uma área em que os trabalhos de Laville
apresentaram-se como precursores
e que agora emerge nos países escandinavos e nos Estados Unidos.
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